03/03 - 12:55, atualizada às 14:31 03/03 - Redação com Santafé Idéias
SÃO PAULO -
O assessor especial de Política Externa do governo brasileiro, Marco Aurélio Garcia, defendeu nesta segunda-feira o esclarecimento das circunstâncias que desataram uma crise diplomática entre a Colômbia, o Equador e a Venezuela no caso do assassinato do segundo homem das Farc pelas forças colombianas em território equatoriano.
Em entrevista concedida hoje à Rádio CBN, Garcia disse que, em primeiro lugar, é preciso reduzir ao máximo a tensão e esclarecer todos os episódios envolvendo a morte de Raúl Reyes, segundo na hierarquia das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
"O esclarecimento dos episódios contribuirá, entre outras coisas, para se chegar a um acordo duradouro, e retomar as iniciativas que vinham sendo conduzidas para lograr um acordo humanitário", declarou o assessor, referindo-se aos esforços para a libertação de reféns das Farc em troca de integrantes do grupo detidos nas prisões colombianas.
Para Marco Aurélio Garcia, o conflito interno colombiano, além de produzir uma situação humanitária difícil, também ameaça desestabilizar a região. "Nós somos muito respeitosos às determinações dos países, dos povos, nós não queremos interferir em situações internas. Agora, o nosso princípio de não interferência não pode significar indiferença por parte do Brasil em relação a tudo isso", comentou.
Reunião em Brasília
Na reunião de coordenação política do governo, ocorrida na manhã desta segunda-feira, o chanceler Celso Amorim apresentou um panorama completo sobre a crise entre Colômbia, Venezuela e Equador. Amorim foi designado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser o interlocutor do governo neste assunto.
No sábado, o ministro das Relações Exteriores telefonou para seus colegas do Equador e Colômbia para buscar uma solução diplomática para o impasse, iniciado após a morte de Raúl Reyes, líder considerado o número dois na hierarquia das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano.
Em resposta à morte do guerrilheiro Raúl Reyes e outros 15 rebeldes, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou no domingo que movesse tropas para a fronteira com a Colômbia e mobilizou aviões militares, enquanto o presidente equatoriano Rafael Correa intensificou a presença militar de seu país na fronteira.
Segundo informações da presidência da República, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, dará uma entrevista coletiva, nesta segunda-feira, no Itamaraty para explicar a atual situação entre os três países além das soluções que o Brasil busca para amenizar a crise. O presidente Lula deverá ligar nesta tarde, para a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, para tratar do assunto.
Leia também:
Leia mais sobre: Farc - Equador
* Com reportagem de Carollina Andrade, da Santafé Idéias
Publicidade
Ingrid Betancourt está em greve de fome desde fevereiro, dizem aliados
Por Ingrid, Sarkozy pode ir com Chávez à Colômbia, diz chanceler
Equador diz que homem em foto com "Reyes" é líder comunista argentino