03/03 - 18:17, atualizada às 19:48 03/03 - Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta segunda-feira que o Brasil sugeriu ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que se crie uma comissão de investigação para apurar as circunstâncias do conflito e tentar amenizar a crise entre Colômbia e Equador, após a morte de Raúl Reyes, líder considerado o número dois na hierarquia das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano.
“O Brasil trabalha para facilitar o diálogo entre os países. Nosso interesse é a paz, a integração e o desenvolvimento da região. Qualquer conflito deste tipo é altamente preocupante”, ressaltou o ministro.
Celso Amorim condenou a violação territorial. Segundo ele, qualquer violação de território soberano é grave e condenável. "O ônus da explicação cabe à Colômbia", disse o chanceler. Ele acrescentou que o pedido de desculpas feito pelo presidente colombiano Alvaro Uribe foi considerado insatisfatório pelas autoridades do Equador e defendeu "um pedido de desculpas mais explícito"
"A situação é muito grave e, sem fazer juízo de valor, o pedido da Colômbia foi visto como insuficiente... o primeiro passo é buscar a harmonia latino e sul-americana e discutir as outras questões a seu tempo", afirmou Amorim, ao ser perguntado sobre as acusações do governo colombiano de que Equador e Venezuela financiam as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
De acordo com o ministro, a OEA se reunirá amanhã, em sessão extraordinária para discutir a crise entre a Colômbia e o Equador. A reunião do Conselho Permanente da organização foi convocada pelo secretário-geral da OEA.
Segundo comunicado de imprensa do organismo, Insulza espera que o Conselho Permanente dê orientações que permitam alcançar uma solução pacífica para a crise e aborde os problemas de fundo que provocaram o conflito entre Colômbia e Equador.
Amorim afirmou que seria interessante também que o secretário-geral da OEA vá aos dois países para apurar melhor os pontos de divergência.
"Acho que uma comissão de investigação seria algo positivo. O Brasil tem interesse na paz, na integração e no desenvolvimento da região”, disse o ministro.
Relações estremecidas
As relações entre os dois países ficaram estremecidas depois que Bogotá bombardeou, no sábado, um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano, num ataque em que morreram um líder do grupo e outros 16 rebeldes.
Equador e Venezuela, que tem no presidente Hugo Chávez um aliado próximo de Quito, ordenaram um reforço militar nas fronteiras com a Colômbia em reação ao ataque. O venezuelano advertiu que pode ser o início de um enfrentamento bélico na região.
Bogotá disse que não iria responder com a mesma estratégia e decidiu não mandar tropas adicionais à área.

Colômbia faz fronteira com o Brasil, Equador, Venezuela, Peru e Panamá / Wikipedia
Desculpas
A Colômbia pediu desculpas pela incursão militar, mas disse que a operação contra o acampamento dos rebeldes era necessária porque seus soldados estavam sendo alvos a partir do lado equatoriano.
Mas o governo colombiano, aliado dos EUA, disse também ter encontrado no acampamento documentos que vinculam o presidente esquerdista do Equador, Rafael Correa, aos guerrilheiros. A acusação é negada pelo Equador porque a evidência não foi apresentada a escrutínio público.
'Deus nos livre de uma guerra, mas não vamos permitir que violem nosso território soberano', disse Chávez.
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