(atualiza balanço de mortos e feridos após últimos bombardeios) Gaza/Ramala, 2 mar (EFE).- A Autoridade Nacional Palestina (ANP) ameaçou suspender as negociações de paz com Israel, depois que a última ofensiva militar israelense em Gaza, realizada neste sábado, deixou pelo menos 62 mortos e outros 300 feridos.
O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, convocou uma reunião urgente do Conselho de Segurança (CS) da ONU para analisar a situação em Gaza, pouco após manifestar que o que aconteceu ali "é pior que o Holocausto".
Israel iniciou uma incursão no norte da Faixa de Gaza, que se transformou na mais sangrenta desde que removeu os 8 mil colonos que viviam em assentamentos judaicos neste território palestino, em 2005.
As últimas vítimas fatais são quatro palestinos que morreram esta noite em um bombardeio de uma delegacia na cidade de Rafah, disseram testemunhas, e de um militante do Hamas no campo de refugiados de Al-Bureij.
Como resultado desses ataques morreram pelo menos 62 palestinos, entre eles numerosos civis e pelo menos 15 menores, incluindo três mulheres, várias crianças e dois bebês, segundo fontes sanitárias de Gaza.
O chefe do serviço de urgências do Ministério da Saúde em Gaza, Moawiya Hasanin, contabilizou 86 mortos desde quarta-feira passada, quando foi iniciada a ofensiva militar de Israel, enquanto os feridos, dezenas deles em estado grave, superam os 200.
A operação deste sábado, apoiada por artilharia, tropas da infantaria e da Força Aérea israelense, teve como centro o campo de refugiados de Jabalya, no norte da faixa, além de vários alvos próximos, ao sul e na própria Cidade de Gaza.
Durante os combates entre soldados israelenses e milicianos, que tentaram resistir à invasão, foram registrados ainda dois mortos e cinco feridos nas fileiras do Exército israelense.
Israel confirmou a notícia do falecimento dos soldados, membros da Brigada Guivati, após informar suas famílias.
As milícias palestinas dispararam durante o dia dezenas de foguetes artesanais Qassam e foguetes Grad de médio alcance contra localidades israelenses, que causaram uma dúzia de feridos, entre eles dois menores que foram hospitalizados após receber impactos de estilhaços.
A atual situação de violência levou o chefe negociador palestino, e ex-primeiro-ministro Ahmed Qorei, a recomendar a suspensão das conversas de paz, que mantém nos últimos meses com a chefe da diplomacia israelense, Tzipi Livni.
Segundo a edição eletrônica do jornal "Haaretz", Qorei, que está hoje em Amã, teria anunciado a Livni que suspenderá a negociação de paz, embora a informação não tenha sido confirmada por nenhum canal oficial.
O presidente Abbas convocou hoje uma reunião na sede governamental de Ramala para analisar a situação, mas ao no final das conversas não vazou nenhuma informação relevante a respeito.
A ministra de Exteriores israelense disse hoje que as ameaças palestinas de suspender as negociações de paz com Israel não afetarão o desenvolvimento da ofensiva na Faixa de Gaza.
"Inclusive se os palestinos desejam interromper as conversas de paz com Israel, não terá nenhum efeito sobre as decisões israelenses em Gaza", declarou Livni.
O assessor presidencial, Saeb Erekat, afirmou que a negociação com Israel "ficou enterrada debaixo dos escombros das casas destruídas em Gaza".
Centenas de palestinos se concentraram esta noite na praça central Al Manara de Ramala para expressar sua repulsa à situação atual em Gaza e induzir o presidente Abbas a interromper a negociação com Israel.
"Não à negociação com o sangue de nosso povo", dizia um dos cartazes que se podia ler no protesto.
Fontes da unidade de negociações da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) disseram à Agência Efe que na próxima terça-feira Abbas deverá se reunir com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, no marco das reuniões quinzenais que ambos os dirigentes mantêm desde dezembro, quando o processo de paz iniciado em novembro na cúpula de Annapolis (EUA) foi retomado.
Algumas fontes dizem que a iminente visita à região da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, poderia representar um elemento de pressão que obrigue as partes a realizar o encontro.
Também o alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), o espanhol Javier Solana, visitará a região, em uma viagem que começa neste domingo. EFE sar-fn-db/ma