Teresa Bouza Washington, 27 fev (EFE).- A senadora democrata Hillary Clinton compareceu com as garras afiadas ao debate em Ohio na noite passada, mas a impressão majoritária hoje é de que ela não conseguiu frear seu rival Barack Obama ante as próximas e cruciais primárias.
O jornal "The Washington Post" afirmou que o debate não alterou o curso geral de uma campanha na qual Obama está na liderança após 11 vitórias consecutivas.
Maureen Dowd, do "The New York Times", lançou por sua parte um duro ataque contra Hillary em sua coluna de hoje na qual diz que o fato de Obama parecer estar tão à vontade consigo mesmo quase conseguiu fazer com que Hillary perdesse a classe.
Por outro lado, o "The Economist" conclui que Hillary "fracassou" em sua tentativa de assustar Obama a menos de uma semana do importante encontro com as urnas de Ohio e Texas.
"Geralmente Obama se saiu melhor. Parecia tranqüilo, razoável e cômodo enquanto Clinton estava tensa e combativa", diz a publicação britânica.
O debate, o 20º na campanha democrata, esteve marcado por duros confrontos verbais que começaram com acusações mútuas sobre as táticas de campanha e 16 longos minutos de debate sobre planos de saúde.
Logo depois, o tópico abordado foi o Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta).
Neste tópico, ambos ameaçaram sair deste tratado a menos que México e Canadá aceitem renegociá-lo, embora ambos apresentassem discordâncias sobre o Nafta.
A Guerra do Iraque, à qual Hillary deu sinal verde no senado há cinco anos e Obama se opôs, também foi motivo de polêmica.
Hillary afirmou que seu rival não era senador quando a guerra foi autorizada e que sua oposição foi meramente retórica.
"Não tinha responsabilidade. Não tinha que votar", declarou e acrescentou que desde que Obama se tornou senador - não completou ainda seu primeiro mandato - seu histórico de votações é praticamente idêntico.
Obama respondeu imediatamente: "Minhas objeções à guerra não foram simplesmente retóricas. Estava no meio de uma campanha para o Senado e muito estava em jogo".
"Uma vez que se leva o ônibus para a vala, só há algumas formas de tirá-lo de lá. A pergunta é: Quem tomou a decisão inicial de levar o ônibus para a vala", questionou Obama.
Estas respostas não levaram Hillary a reconsiderar sua implacável atitude ofensiva, bem diferente do tom conciliador do debate da semana passada no Texas.
A senadora não assentiu com a cabeça, nem sorriu - como em outras oportunidades - quando Obama expôs pontos de comum acordo entre os democratas. Além disso, se referiu a ele quase sempre como "senador Obama", no lugar do mais amistoso "Barack" da semana passada.
Além disso, expressou sua frustração com o que considera tratamento preferencial da imprensa com Obama, ao mencionar uma encenação de um programa televisivo no qual os moderadores de um debate são apresentados como aduladores do senador de Illinois.
"Parece que sempre sou eu que tem que responder primeiro às perguntas", declarou.
"Considero curioso e se alguém viu o programa 'Saturday Night Live' talvez devêssemos perguntar a Barack se está confortável e se necessita de outra almofada", acrescentou.
Os moderadores dos outros dois debates entre Hillary e Obama sempre fizeram perguntas primeiro para a senadora e em geral a pressionaram mais que Obama.
O debate de ontem foi o último antes das primárias do dia quatro de março em quatro estados, embora apenas dois deles, Ohio e Texas, sejam grandes e decisivos.
A pesquisa da "CNN" afirma que Obama conta com o apoio de 1.184 delegados, frente aos 1.031 de Hillary. As primárias do Ohio e do Texas podem ser a últimas oportunidades de a senadora diminuir esta distância.
As últimas pesquisas indicam que os dois candidatos à Casa Branca estão praticamente empatados no Texas e que Hillary tem uma ligeira vantagem em Ohio, vantagem que em algum momento foi de 21 pontos e que agora aumenta dia a dia.
Vença quem vencer não terá facilidades para derrotar o virtual candidato republicano John McCain, que, segundo uma pesquisa que publica hoje o "Los Angeles Times", desbancaria qualquer dos dois candidatos democratas. EFE tb/fal