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Ex-líder do Khmer Vermelho chora em reconstituição em "campo da morte"

26/02 - 12:01 - AFP

O ex-dirigente do Khmer Vermelho "Duch" chorou ao participar nesta terça-feira em uma reconstituição em um dos principais campos de execução do regime ultramaoísta, às vésperas de seu julgamento em um tribunal criado pela ONU no Camboja por crimes contra a humanidade.

"Duch", 65 anos e cujo nome verdadeiro é Kaing Guek Eav, pisara pela última vez em Choeung Ek - "campo da morte" situado nas proximidades de Phnom Penh - há quase 30 anos, quando dirigia a prisão de Tuol Sleng, na capital cambojana, sob o regime do Khmer Vermelho, que governou com mão-de-ferro o país de 1975 a 1979.

Tuol Sleng também era o principal centro de tortura do Khmer Vermelho, batizado de S-21, onde milhares de homens, mulheres e crianças foram vítimas de atos desumanos, antes de serem executados e enterrados em Choeung Ek, transformada hoje, como Tuol Sleng, em uma macabra atração turística.

Em uma entrevista publicada em 11 de fevereiro pelo jornal britânico The Independent, "Duch", um ex-professor de matemática, disse que 'obedeceu a ordens' e que, ao se ver 'preso na máquina política khmer', não teve outra alternativa.

A reconstituição em Choeung Ek, que será seguida por outra nesta quarta-feira, em Tuol Sleng, na presença de alguns sobreviventes das atrocidades, faz parte da instrução dos fatos antes de um processo sob mandato da ONU, cuja data ainda não foi fixada.

"Duch" foi acompanhado por funcionários da corte, a quem explicou durante quatro horas o que acontecia em Choeung Ek quando estava no poder. A reconstituição foi reservada e os oficiais de justiça não puderam revelar o teor.

Em certo momento, "Duch", que se converteu ao cristianismo, se ajoelhou e orou ante uma árvore, cujo tronco, aparentemente, foi utilizado para quebrar as cabeças de bebês. Ao final da reconstituição, se inclinou ante um grande recepiente de vidro que contém milhares de crânios retirados das fossas de Choeung Ek.

O tribunal com participação internacional, que começou a funcionar com grande dificuldade em julho de 2006 no Camboja, investiga os crimes mais graves sob regime do Khmer Vermelho (1975-1979).

"Duch" foi preso em 1999 e transferido em 2007 para o tribunal patrocinado pela ONU. Faz parte de um grupo de cinco ex-dirigentes detidos por crimes contra a humanidade.

Dois milhões de pessoas morreram sob o regime khmer, que fez reinar o terror no Camboja, obrigando a um êxodo em massa das cidades para os campos, extenuando a população em trabalhos forçados e eliminando sistematicamente qualquer opositor potencial.

sdm/fp/cn





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