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Kosovo declara independência unilateral; Sérvia e Rússia condenam declaração

17/02 - 10:00, atualizada às 17:51 17/02 - Redação com agências internacionais

PRISTINA - O primeiro-ministro kosovar, Hashem Thaçi, declarou neste domingo, em Pristina, a independência unilateral do Kosovo em relação à Sérvia. A secessão foi aprovada em sessão extraordinária do Parlamento.

 

"A partir de agora, o Kosovo mudou de posição política. Somos agora um Estado independente, livre e soberano", declarou o presidente do Parlamento, Jakup Krasniqi, aos deputados.

Mais cedo, Thaçi havia declarado que queria "tomar a decisão permitindo que o Kosovo faça parte dos países independentes".

A decisão de convocar a sessão foi tomada após uma reunião da Presidência do Parlamento e dos líderes dos grupos parlamentares, e após uma solicitação apresentada por Thaçi e pelo presidente kosovar, Fatmir Sejdiu.

Em seguida, haverá a votação sobre os símbolos, a bandeira e o emblema escolhidos entre mais de 1.500 propostas.

Sérvia não reconhece

Logo depois da proclamação, o presidente sérvio, Boris Tadic, declarou que a Sérvia nunca reconhecerá a independência do Kosovo.

"A Sérvia nunca reconhecerá a independência do Kosovo. A Sérvia reagiu e reagirá por todos os meios pacíficos, diplomáticos e legais para anular esse ato cometido pelas instituições do Kosovo", disse Tadic.

Vários ministros e deputados sérvios irão hoje às zonas do Kosovo povoadas pela minoria sérvia - cerca de 10% da população - para expressar apoio.

Reuters/Ivan Milutinovic
Kostunica não reconhece a independência


Segundo o ministro sérvio para o Kosovo, Slobodan Samardzic, também transmitirão a essa população a mensagem de que a Sérvia quer intensificar o bom funcionamento nessas zonas.

Belgrado pediu aos servo-kosovares que permaneçam em suas casas no Kosovo, e prometeu que o Estado fará tudo o possível para garantir-lhes uma vida normal na província.

"Trata-se agora não só de ajuda, mas do funcionamento das instituições da Sérvia neste âmbito", disse Samardzic, que estará hoje em Mitrovica, cidade do norte do Kosovo dividida em um setor sérvio e outro albanês, e que agora é o principal foco de atenção diante de possíveis tensões entre as duas etnias.

O ministro reiterou a oposição sérvia ao posicionamento na província de uma missão civil da União Européia - a Eulex - "porque foi imposta sem normas jurídicas".

Belgrado é apoiada pela Rússia, que pediu hoje uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU. A informação foi anunciada pela porta-voz da missão russa nas Nações Unidas em Nova York, Maria Zakharova, à agência oficial russa "Itar-Tass".

Os Estados Unidos e vários outros grandes países da UE expressaram nas últimas semanas a intenção de reconhecer rapidamente a independência depois de sua proclamação.

Hashim Thaçi insiste em que o processo da declaração da independência é conduzido pelos dirigentes de Kosovo "em coordenação" com os ocidentais. Ele garantiu que a segurança dos sérvios e das demais minorias será garantida no Kosovo independente.

UE substitui ONU

Em sua solicitação ao Parlamento, Thaçi pediu aos deputados que se pronunciassem sobre o plano do emissário especial da ONU Martti Ahtisaari, que prevê uma independência sob "supervisão internacional". Ele também deu as boas-vindas à missão da União Européia (UE) encarregada de "acompanhar" os primeiros passos da independência do Kosovo.

"Sabendo que as discussões sobre o estatuto estão encerradas, e reconfirmando nossa promessa de aplicar a proposta do enviado especial da ONU, e também desejando as boas-vindas à missão internacional dirigida pela UE que vai permitir o desenvolvimento democrático e a supervisão da aplicação do plano Ahtisaari, peço que convoquem o Parlamento para uma sessão extraordinária", escreveu Thaçi em sua solicitação.

A missão da UE deve substituir a Missão da ONU no Kosovo (Minuk), que administra a província desde o fim do conflito entre as forças sérvias e a guerrilha separatista albanesa, em 1999.

Com informações da AFP e EFE

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