17/02 - 19:52 - Redação com agências
Nenhum país membro do Conselho de Segurança da ONU apoiou o pedido feito pela Rússia neste domingo de classificar a declaração de independência do Kosovo como "nula e improcedente", afirmou o emissário britânico ao fim da reunião de emergência do órgão.
"Nenhum país apoiou a proposta da Rússia de declarar como nula e improcedente" a proclamação de independência do Kosovo, decidida neste domingo pelo Parlamento kosovar em Pristina, disse o embaixador britânico na ONU, John Sawers, aos jornalistas.
"As diferenças de opinião conhecidas continuam sendo as mesmas", afirmou o presidente rotativo do Conselho, o embaixador do Panamá, Ricardo Alberto Arias, ao término da reunião, adiada por duas horas por falta de intérpretes.
Os 15 membros do Conselho, principal órgão de decisões das Nações Unidas, estão muito divididos em relação ao futuro do Kosovo.
Enquanto Estados Unidos, Reino Unido e França apóiam a decisão unilateral do Kosovo, a Rússia se opõe.
Em Pristina, o ex-líder guerrilheiro e agora primeiro-ministro albano-kosovar, Hashem Thaçi, anunciou no Parlamento do Kosovo a independência da Sérvia, o que imediatamente foi rejeitado por Belgrado.
O primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, declarou que o país lutará, "sem o uso da força", para recuperar a província separatista.
A divergência entre os membros do Conselho de Segurança se baseia na interpretação legal de uma de suas resoluções, a 1.244, adotada em 1999, que contém o plano de paz internacional para o Kosovo e garante à Sérvia a soberania e a integridade territorial da região.
"Não há base legal para a declaração independente unilateral" realizada pelo Kosovo, afirmou o embaixador da Rússia, Vitaly Churkin, segundo o qual a resolução 1.244 não deixa espaço para essa interpretação.
Em velada acusação aos EUA e a alguns membros da União Européia (UE), Churkin assegurou que Moscou "não compartilha a idéia de que a lei internacional pode ser manipulada".
Ele acrescentou que o anúncio de Pristina "deveria ser desprezado" e que a declaração deve ser considerada "nula e inválida".
O presidente da Sérvia, Boris Tadic, discursará na segunda-feira no Conselho de Segurança para defender esta posição. Ele pediu ao principal órgão de decisões das Nações Unidas para ser escutado, em uma reunião que começará às 14h (em Brasília) e que será aberta a todos os países da organização.
Para a Sérvia, a independência do Kosovo representa uma secessão unilateral e forçada de uma parte de seu território, sem efeitos legais para esse Estado nem para a lei internacional.
Os países europeus do Conselho de Segurança - França e Reino Unido como membros permanentes, e Bélgica e Itália como não-permanentes - mais Croácia, Alemanha e Estados Unidos divulgaram uma declaração na qual asseguram que a 1.244 proporciona "o marco para uma transição rumo a uma estabilidade duradoura no Kosovo".
"Lamentamos a incapacidade para adotar uma solução de mútuo acordo, mas a situação é verdadeiramente impossível, e um processo coordenado e estável, com o apoio internacional, é melhor que uma instabilidade prolongada", afirmou, em nome desse grupo, o embaixador da Bélgica, Johan Verbeke.
Verbeke ressaltou que "este beco sem saída já dura vários meses. Não vai mudar".
O embaixador afirmou que o órgão também deseja esperar a decisão que será adotada na segunda-feira, em Bruxelas, pelo Conselho de Ministros de Assuntos Exteriores da UE.
Na UE também há profundas divisões sobre a situação do Kosovo, pois, enquanto Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica e Itália apóiam a independência, países como Espanha, Grécia e Chipre, entre outros, a rejeitam.
"Ninguém apoiou a proposta da Rússia para que a declaração unilateral de independência seja nula e inválida", afirmou o embaixador do Reino Unido, John Sawers, que acrescentou que "a máxima autoridade (no Kosovo) é a ONU".
Sawers disse que entre os próximos passos está ver que países reconhecerão a independência e ressaltou que as decisões da UE "respeitarão a resolução 1.244".
O embaixador adjunto de EUA, Alejandro Wolff, reiterou a posição de Washington de que o ocorrido com o Kosovo "é uma situação única".
"Não existe outra situação como essa no mundo, na qual a ONU tenha a administração de um território", explicou.
Wolff rejeitou assim as advertências russas de que aceitar a declaração de independência unilateral do Kosovo representará um precedente que pode ter influências negativas em outros países com problemáticas situações nacionalistas.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que a situação na província separatista "é de tranqüilidade", apesar das explosões registradas no norte de Mitrovica.
Ban indicou que, "pendente de uma decisão do Conselho de Segurança, a Missão da ONU no Kosovo (Unmik) considera a resolução 1.244 como a única base legal para seu mandato, que continuará exercendo à luz da evolução das circunstâncias".
Assim como o Conselho, Ban pediu às partes que "evitem qualquer ação ou declaração que prejudique a paz, incite à violência ou ponha em risco a segurança do Kosovo e da região".
Com informações das agências AFP e EFE
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