07/02 - 12:57 - Reuters
CIDADE DO VATICANO - O principal cardeal do Vaticano para relações com os judeus negou nesta quinta-feira que uma nova oração pedindo a conversão deles seja ofensiva. Afirmou ainda que os católicos tem o direito de rezar como quiserem.
O cardeal Walter Kasper falou em uma entrevista para um importante jornal italiano um dia depois de lideres judaicos mundiais dizerem que a nova oração poderia ser um retrocesso de décadas para o diálogo intra-religioso.
'Eu devo dizer que não entendo o porquê de os judeus não poderem aceitar que nós podemos usar nossa liberdade para formular as nossas orações', disse o alemão Kasper ao Corriere della Sera.
Na quinta-feira, o Vaticano revisou uma contestada oração em latim usada por uma minoria tradicionalista na Sexta-feira Santa, removendo uma referência à 'cegueira' dos judeus sobre Cristo e uma frase pedindo a Deus que 'remova o véu dos seus corações'.
No entanto, os judeus criticaram a nova versão porque ela ainda diz que eles todos deveriam reconhecer Jesus Cristo como salvador da humanidade. Ela pede que 'toda Israel seja salva' e mantém um pedido nas entrelinhas pela conversão, o que os líderes judaicos queriam ver fora do texto.
'Nós achamos que racionalmente essa oração não pode ser um obstáculo para o diálogo porque ela reflete a fé da Igreja e, além disso, os judeus têm orações nos seus textos litúrgicos das quais nós católicos não gostamos', afirmou Kasper.
Kasper disse que o formato da oração veio dos manuscritos de São Paulo e apenas reforçam que para os cristãos, Jesus é o messias e Filho de Deus.
Apenas algumas centenas de milhares de tradicionalistas acompanham o rito em latim e vão usar a oração. A grande maioria do 1,1 bilhão de católicos do mundo assistem às missas em suas línguas locais usando outras orações.
(Philip Pullella)
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