04/02 - 16:10 - AFP
O Irã inaugurou nesta segunda-feira seu primeiro centro espacial, visivelmente rudimentar a julgar pelas imagens mostradas na televisão, com o qual pretende lançar um satélite ao espaço, trazendo mais tensão para a já complicada relação do país com as potências ocidentais.
"Devemos ter uma presença ativa e eficaz no espaço", declarou o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad, durante discurso transmitido pela televisão estatal.
A rede de TV mostrou imagens de um foguete, que lembra o míssil Shahab-3, em posição vertical sobre um caminhão de transporte em pleno deserto, antes de anunciar seu lançamento.
O alcance e a potência do foguete, apresentado como um aparato de "investigação", não foram divulgados.
O presidente Ahmadinejad "inaugurou o primeiro centro espacial construído no país, que engloba o satélite Omid (esperança), uma estação de controle subterrânea e uma plataforma de lançamento", segundo a agência oficial IRNA.
O lançamento seria feito perto de Semnam, norte do Irã, onde fica o centro de testes de mísseis iraniano, informou a mesma agência.
A IRNA disse ainda que um segundo foguete, semelhante ao primeio, seia utilizado para lançar o satélite de investigação Omid, o que deve acontecer aurante o próximo ano iraniano, que começa em 21 de março.
Para a Casa Branca, onde a inauguração do centro provocou mal-estar, o gesto "lamentável" da República Islâmica expõe o país a um isolamento ainda maior da comunidade internacional.
Os Estados Unidos e seus aliados ocidentais já pressionam o Irã devido a seu polêmico programa de enriquecimento de urânio, que, segundo Washington, tem o objetivo de desenvolver armas atômicas - acusação negada por Teerã.
"nenhuma potência pode ir contra a vontade da nação iraniana", insistiu Ahmadinejad, para quem "o sistema dominante humilha os povos e as nações ao insinuar que não são capazes".
O programa nuclear e o de mísseis, a serviço do primeiro, segundo os ocidentais, é objeto de sanções do Conselho de Segurança da ONU, que podem ir mais longe, de acordo com uma nova resolução ainda em estudo.
O Ocidente quer forçar o Irã a suspender o enriquecimento de urânio, mas os iranianos já deixaram claro que não pretendem se curvar diante de tais exigências.
O Irã, que costuma anunciar com com estardalhaço qualquer avanço em matéria de armamento sofisticado, confirmou em fevereiro de 2007 ter superado com sucesso o ensaio de seu primeiro foguete espacial, que alcançou uma altitude de 150 km, distância ainda insuficiente para pôr um satélite em órbita.
O foguete iraniano teria sido fabricado a partir do modelo de mísil balístico Shahab-3, cujo alcance teórico é de 1.600 km,mas que Teerã havia ampliado para 2.000 km.
A República Islêmica dispõe apenas de um satélite em funcionamento atualmente, o Sina-1, fabricado na Rússia e posto em órbita em outubro de 2005 por un foguete russo Kosmos-3M e lanzado de uma plataforma também russa.
A construção de um segundo satélite confiada a Rússia, o Zoreh, sofre atrasos devido, segundo Moscou, aos provedores europeus, reticentes em cooperar com o projeto iraniano.
aet-pcl/ap
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