01/02 - 15:53, atualizada às 19:23 01/02 - Redação com agências internacionais
NAIRÓBI - O governo e a oposição do Quênia adotaram hoje uma série de acordos a curto e longo prazo a fim de resolver a grave crise enfrentada pelo país desde dezembro, anunciou o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.
Os pontos incluem um acordo para cessar a violência, resolver a crise humanitária causada pelos protestos políticos e lutas tribais, e promover a reconciliação, segundo disse Annan em entrevista coletiva.
'Acreditamos que dentro de 7 a 15 dias poderemos conseguir tratar dos primeiros três itens da agenda', afirmou Annan a jornalistas. 'O primeiro é agir imediatamente para conter a violência.'
Alcançamos um acordo sobre um plano de curto prazo para solucionar a questão mas que não deixa, também, de ser de longo prazo", declarou o ex-secretário-geral da ONU, que desde quinta-feira dirige as conversações entre os negociadores nomeados por Kibaki e Odinga.
O primeiro ponto dessa estratégia prevê uma "ação imediata para frear a violência e restaurar os direitos e as liberdades fundamentais", acrescentou Annan.
Presidente culpa oposição
O presidente do Quênia, Mwai Kibaki, responsabilizou, nesta sexta-feira, a oposição pela onda de violência no país e voltou a afirmar que sua reeleição contou com o apoio "da maioria dos quenianos.
Kibaki realizou hoje um pronunciamento, a portas fechadas, em uma das reuniões da cúpula da União Africana realizada no Quênia, e cópias de seu discurso foram distribuídas logo após pelos organizadores.
"Embora o resultado das eleições tenha refletido o desejo da maioria dos quenianos, os líderes da oposição instigaram uma campanha de insatisfação civil, que causou mais de 800 mortos", afirmou o chefe de Estado queniano.
Kibaki foi reeleito nas eleições de 27 de dezembro passado, mas a oposição afirma que sua reeleição só ocorreu graças a um milhão de votos fraudados.
Observadores eleitorais internacionais também expressaram suas dúvidas em relação à apuração, por conta das irregularidades detectadas.
Em seu discurso, Kibaki disse que a onda de violência gerada após as denúncias de fraude deixou 250 mil deslocados.
O governante pronunciou seu discurso em reunião extraordinária da Autoridade Intergovernamental em Desenvolvimento (Igad, em sua sigla em inglês), que reúne países do leste da África.
Kibaki, no poder desde 2002, afirmou que seu governo criou medidas para fazer frente à onda de violência e assistir os desabrigados.
"A situação, quanto à segurança no país, está sob controle", insistiu.
Vontade dos dirigentes
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, declarou nesta sexta-feira em Nairóbi que estava "razoavelmente alentado pelo compromisso e pela vontade" dos dirigentes políticos do Quênia em solucionar a grave crise que afeta a este país há um mês.
"Estou razoavelmente alentado pelo compromisso e a vontade de todos os líderes políticos, assim como dos líderes das comunidades, que consideram agora a possibilidade de solucionar este problema através do diálogo, e por meios pacíficos", declarou Ban Ki-moon.
"Minha mensagem ao governo e ao povo do Quênia é para que ponham fim a esta violência e solucionem todas estas questões (...) por meio do diálogo de forma pacífica", afirmou Ban em Nairobi, onde se juntou aos esforços de mediação liderados por seu antecessor, Kofi Annan.
"A violência é intolerável e inaceitável no século 21. Deve cessar imediatamente", afirmou o secretário-geral. "Os líderes políticos têm o dever e a responsabilidade de resolver esta situação", acrescentou Ban.
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| Annan e Ban ki-Moon falam com governo (esq) e oposição (dir) |
Ontem, o deputado da oposição queniana David Anamoi foi morto a tiros por um policial de trânsito. Até agora, ao menos 850 pessoas morreram na onda de violência que se seguiu às eleições de dezembro.
Histórico da crise
O Quênia vive uma crise política desde 27 de dezembro quando o presidente Kibaki, da etnia kikuyo, se reelegeu. A oposição, liderada por membros da etnia luo, colocou em dúvida a lisura do processo.
Na virada do ano confrontos étnicos explodiram por todo o país e durante o mês de janeiro, luos e kikuyos continuaram se enfrentando.
Nas últimas semanas, a comunidade internacional tentou resolver o conflito por meios diplomáticos. O ex-secretário-geral da ONU Koffi Annan se reuniu com Kibaki e Odinga e conseguiu agendar encontros entre os dois.
O Quênia tem uma das economias mais prósperas do continente africano e gozava de uma relativa estabilidade democrática. O país também é aliado dos Estados Unidos contra terroristas islâmicos que atuam no leste da África, especificamente no Sudão e na Somália.
(*Com informações das agências Reuters, AP, AFP, Efe e Agência Estado)
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