Madri, 17 jan (EFE) - O juiz Baltasar Garzón e o jornalista Vicente Romero analisam a violência exercida pelo poder, com especial atenção aos crimes cometidos na Argentina (1976-1983), no livro-DVD "El alma de los verdugos" ("A alma dos carrascos", em tradução livre), lançado hoje. A obra, com 600 páginas de texto e quase duas horas de vídeo, é uma iniciativa do magistrado da Audiência Nacional. O livro recolhe os depoimentos de muitas vítimas das ditaduras argentina e chilena, e de vários de seus torturadores que, em alguns casos, ainda são verdadeiros "vencedores sociais", como lembrou Romero. O Prêmio Nobel de Literatura José Saramago escreve no prólogo: "Usando sua vontade e liberdade, os carrascos argentinos realizaram seu infame trabalho. Quiseram fazê-lo e fizeram-no.
Nenhum perdão é possível. Nenhuma reconciliação nacional ou particular".
O jornalista da "Televisión Española" ("TVE") ressaltou que o que aconteceu nesses países latino-americanos foi acompanhado de certas circunstâncias, como a passividade de boa parte da opinião pública e a colaboração das grandes empresas, que estão se repetindo hoje em outros lugares do mundo.
"O que é narrado faz parte do presente. Em outras instâncias, em outras escalas, mas é o mesmo", disse Romero, referindo-se a Guantánamo, Iraque e Afeganistão.
A situação nesses lugares será analisada na segunda parte da obra, que será acompanhada de outras duas horas de material audiovisual.
"Quando os limites são ultrapassados, quando o poder atua por vingança, se produzem más conseqüências", afirmou o juiz.
Romero aludiu ao caso espanhol e à repressão gerada pelo franquismo após a guerra civil, e disse que não entende a oposição à chamada Lei da Memória Histórica.
"Se na Argentina ainda se nota a ausência dos desaparecidos, aqui ainda gritam das valas esperando que os desenterrem", afirmou o jornalista. EFE jav db