Bogotá/Caracas, 10 jan (EFE).- A guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertou hoje, no departamento selvático colombiano de Guaviare, as reféns Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo, que serão levadas ainda hoje à Venezuela para se reunir com seus parentes.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, foi o primeiro a confirmar, de Caracas, a libertação das duas sequestradas que as Farc haviam prometido, no fim do ano passado, entregar a ele ou a um emissário que delegasse.
As duas mulheres foram recolhidas por uma missão humanitária formada por delegados do Governo da Venezuela e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que viajaram em helicópteros venezuelanos com o emblema desse organismo até uma região selvática do sudeste da Colômbia para recebê-las.
Chávez disse que, em uma mensagem enviada diretamente da selva, o ministro do Interior venezuelano, Ramón Rodríguez Chacín, lhe relatou, "visivelmente emocionado", que estava recebendo Rojas e González de Perdomo.
Após ter falado com o ministro, Chávez disse ter feito o mesmo com ambas as mulheres e também com o responsável guerrilheiro da operação.
"Cumprimentei o chefe da patrulha das Farc, Clara e Consuelo, que estavam emocionadas. O ministro Rodríguez me disse que ambas estão em boas condições de saúde", garantiu.
Chávez indicou que as libertadas "chegarão diretamente a terras venezuelanas" por volta das 17h30 (de Brasília) e que, de um aeroporto que não revelou, seguirão viagem para Caracas, onde se reunirão com seus familiares.
Em Bogotá, a delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha confirmou à Efe a entrega das duas reféns à missão organizada pelo Governo venezuelano.
"Confirmamos a libertação de Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo", disse o porta-voz do CICV na capital colombiana, Yves Heller.
"Parece que viajarão para a Venezuela, mas ainda não sabemos o ponto exato para o qual vão", acrescentou Heller.
Por sua parte, a delegada do CICV em Bogotá, Barbara Hintermann, confirmou à imprensa "a feliz notícia de que Clara Rojas e Consuelo González estão em poder do organismo".
Clara Rojas, mãe de uma criança concebida em cativeiro, permanecia em poder dos rebeldes desde 23 de fevereiro de 2002, quando foi seqüestrada junto à ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, que também possui nacionalidade francesa.
Já Consuelo González de Perdomo permanecia em cativeiro desde 10 de setembro de 2001.
Ambas faziam parte do grupo de 45 seqüestrados que as Farc pretendem trocar por 500 rebeldes presos, entre eles dois extraditados aos Estados Unidos.
O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, disse, após receber a notícia, que Rojas e González de Perdomo foram recebidas pelo CICV em uma região selvática do departamento de Guaviare, entre as cidades de La Paz e Taomachipán, cerca de 100 quilômetros a sudeste da capital departamental San José del Guaviare.
O ministro revelou que as tropas do Exército que estão em Guaviare observaram a missão de hoje "quietas", e a uma distância de dois quilômetros do centro dos acontecimentos.
Assinalou ainda que o Governo espera agora que a guerrilha liberte os outros 700 seqüestrados que tem em seu poder, e que está disposto a facilitar operações similares à de hoje para que as Farc "libertem incondicionalmente" os demais reféns.
A missão que recolheu as libertadas foi integrada pelo ministro do Interior da Venezuela, Ramón Rodríguez Chacín; por um delegado e um assistente do presidente venezuelano, Hugo Chávez; pelo embaixador de Cuba em Caracas, Germán Sánchez, e pela congressista opositora colombiana Piedad Córdoba.
A delegação foi completada por uma equipe formada por médicos e paramédicos.
As aeronaves que recolheram Rojas e González haviam decolado do aeroporto de San José del Guaviare por volta das 10h02 local (13h02 de Brasília) e menos de uma hora depois aterrissaram no local de entrega assinalado pelas Farc. EFE ar gs