07/01 - 15:31 - EFE
ISLAMABAD - O ex-primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif fez nesta segunda-feira um novo gesto de aproximação com o Partido Popular do Paquistão (PPP), da ex-chefe de governo assassinada Benazir Bhutto, ao defender a formação de um governo de "coalizão nacional" após as eleições de 18 de fevereiro.
Sharif se reuniu em Lahore com a direção de sua legenda, a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), para analisar o cenário político formado após o adiamento do pleito legislativo que ocorreria amanhã.
Em declarações feitas após a reunião, o ex-primeiro-ministro pediu a constituição de uma Comissão Eleitoral "independente", após questionar a neutralidade do atual Governo interino, ao qual qualificou de "continuação do regime" do presidente paquistanês, Pervez Musharraf.
Após a morte de Bhutto em um atentado cometido no dia 27 de dezembro, ele se tornou o principal rosto da oposição em um país cujo eleitorado segue mais líderes que partidos.
Segundo uma fonte diplomática, os Estados Unidos também teriam começado a se aproximar de Sharif como aliado de substituição após a morte de Bhutto.
De acordo com essa fonte, o ex-chefe de Governo e seu irmão Shahbaz se reuniram na última sexta-feira com o cônsul americano em Lahore, Bryan Hunt, que teria informado que a embaixadora americana em Islamabad, Anne Patterson, queria encontrá-los esta semana.
Bhutto tinha retornado ao Paquistão no dia 18 de outubro de 2007 após os Estados Unidos terem feito mediação para obter um pacto de divisão de poderes com Musharraf, que, em troca, fechou os casos de corrupção que existiam contra ela.
Já Sharif voltou ao país em novembro e adotou uma política de aproximação com sua antiga rival.
O PPP, que agora é co-presidido pelo viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari, está reformulando sua estratégia eleitoral e hoje deixou claro que sua direção ainda decidirá como será o relacionamento com a legenda governamental.
Zardari, citado pela agência estatal "APP", disse que tem "plena confiança" na investigação da morte da ex-primeira-ministra, na qual a Scotland Yard está colaborando, mas pediu novamente a intervenção da ONU.
Líderes do PPP na província de Punjab se reuniram hoje com Hunt, que insistiu em que a rede terrorista Al Qaeda seria responsável pela morte de Bhutto e ofereceu a "ajuda" americana na investigação, se for necessário.
Um dirigente da legenda em Karachi, Saeed Ghani, disse à Agência Efe que Zardari "não substituirá totalmente Benazir", mas elogiou a "coragem" do viúvo de Bhutto, que "enfrentou" os casos de corrupção que pesam sobre ele permanecendo no Paquistão após a morte de sua esposa.
Ele admitiu ainda que existe uma "minoria" no PPP que não aceita a liderança de Zardari, conhecido como "o senhor 10%", mas descartou um racha na legenda, já que "as pessoas que tentam desunir o partido são as mesmas que tentavam fazer isso quando Benazir estava viva".
"Se as eleições forem limpas, o PPP conquistará dois terços das cadeiras", afirmou.
Enquanto os partidos formulam novas estratégias eleitorais, a violência prossegue na região tribal do Waziristão do Sul, onde pelo menos nove delegados dos comitês de paz que faziam a mediação entre o Governo e os insurgentes das áreas tribais morreram baleados em seus escritórios.
O comitê é formado por ulemás e representantes eleitos dos três clãs nos quais se divide a tribo Mehsud, à qual pertence o dirigente talibã acusado pelo Governo de estar envolvido na morte de Bhutto.
Segundo uma fonte do Ministério do Interior citada pela emissora "Dawn", o Executivo pretende lançar uma operação contra o líder talibã Mehsud, supostamente ligado à rede terrorista Al Qaeda.
No domingo, o Exército também lançou uma ofensiva no vale do Swat (norte), onde suspeita que esteja escondido o líder fundamentalista Fazlullah, outro dos acusados pelo Governo de ter participado do assassinato de Bhutto.
Neste vale montanhoso, dois civis e oito soldados ficaram feridos hoje quando um suicida detonou o explosivo que carregava diante de uma base militar, segundo uma fonte do Ministério de Defesa citada pela "APP".
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