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New Hampshire é a última oportunidade de pré-candidatos fazerem corpo a corpo

05/01 - 16:08 - EFE

Paco G. Paz Nashua (EUA), 5 jan (EFE).

- Em New Hampshire os aspirantes à Presidência dos Estados Unidos não se vêem tanto na televisão ou nos jornais como na rua, pedindo voto porta a porta, num exercício que se repete a cada quatro anos.

Faltam três dias para a realização das eleições primárias no pequeno Estado do nordeste americano e os políticos estão preparados, dispostos a lutar por cada um dos eleitores.

"Recebemos 50 ligações todos os dias, além de e-mail, cartas e encontros na rua e nas cafeterias. Estão por todos lados. Muitas vezes reclamamos que é sufocante, mas a verdade é que é algo grandioso", afirma Neil Scherer, uma eleitora.

Em Manchester, uma das maiores cidades do estado, as ruas cobertas por neve estão cheias de cartazes, panfletos e de grandes anúncios dos locais onde os cidadãos podem se encontrar pessoalmente com os candidatos.

"Olha, aqui em New Hampshire existe um ditado que é muito revelador. Você não deve votar em um candidato, a não ser que coma com ele, se encontre com ele ou ele te cumprimente'", conta Dove Alcox, professor de um instituto que oferece cursos sobre formação cívica e política.

O ditado se encaixa perfeitamente no caso de Lisa, uma mexicana que possui, com seu esposo, um pequeno restaurante a duas ruas do escritório eleitoral do democrata Barack Obama em Manchester, que nos últimos dias está muito movimentado após sua vitória em Iowa.

"Barack Obama veio aqui duas vezes e Bill Richardson (governador do Novo México) uma. Gosto dos dois, embora ache que vou votar em Obama, apesar de Richardson ser de origem hispânica", confessa a mexicana.

New Hampshire é a última oportunidade para presenciar este tipo de política corpo a corpo, já que a partir das primárias de terça-feira os aspirantes estarão envolvidos na campanha eleitoral a nível nacional, o que tornará difícil a captação de votos um por um.

Longe dos grandes comícios nacionais - onde é impossível chegar ao candidato -, em New Hampshire, como também acontece em Iowa, os políticos têm um diálogo com os eleitores que não é possível reproduzir em outro estado.

"A partir de agora os candidatos entrarão em uma bolha na qual é impossível chegar a eles. Mas em New Hampshire ainda podem se dar o luxo de tomar um café conosco", diz Dove Alcox.

Alcox, outro professor, levou alguns dos alunos a uma grande reunião democrata na sexta-feira à noite, apesar de serem menores de idade e não poderem votar, para que se familiarizem com a dinâmica.

Durante mais de meio século este pequeno estado, de pouco mais de um milhão e meio de habitantes, realizou as primeiras eleições primárias do país, o que lhe garante uma grande atenção da mídia.

Além disso, existe a crença de que nenhum candidato pode chegar à Casa Branca sem ter ganho em New Hampshire, algo que realmente aconteceu, com exceção dos casos de Bill Clinton e George W. Bush.

A tradição de 50 anos fez dos habitantes de New Hampshire eleitores comprometidos, que não duvidam em presentear um candidato quando se encontram com ele em um ginásio de colégio, uma cafeteria, ou quando, simplesmente, chegam a suas casas.

"Aqui não fazemos rodeios, perguntamos aos candidatos as coisas que nos interessam, porque muitos somos independentes e há coisas que não compartilhamos de seu programa", diz Nick González, proprietário de uma pequena loja em Nashua.

Em sua determinação por descobrir quem é o candidato mais adequado, González decidiu tomar café-da-manhã no domingo em uma cafeteria, com outros eleitores e com o ex-governador de Arkansas, Mike Huckabee.

"Não decidi meu voto. Portanto vamos ver que o ele me diz para ganhar meu apoio", concluiu. EFE pgp jfc/ma



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