Ao final de uma longa e tumultuada campanha eleitoral, Barack Obama, de 47 anos, prepara-se para se tornar, em janeiro de 2009, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, depois de uma vitória incontestável em plena crise financeira e frente a grandes desafios internacionais.

Em 4 de janeiro, em Iowa (centro), o senador por Illinois era o fator surpresa que ganhava a primeira primária democrata, relegando a favorita Hillary Clinton para um incômodo terceiro lugar. "Nós enviamos uma forte mensagem de mudança na América", proclamou, na época.

Dez meses mais tarde, o jovem senador que chegou a Washington apenas em 2005 continuou sua ascensão meteórica, que o levou às portas da Casa Branca, arrasando, no caminho, o adversário republicano John McCain, de 72 anos.

As palavras "esperança" e "mudança", leitmotiv da campanha de Obama, foram levadas ao pé da letra por milhões de eleitores, vitimados pela crise econômica.

Vários americanos querem ver nesse filho de um queniano com uma branca do Kansas um salvador, do naipe de Abraham Lincoln, ou de Franklin Roosevelt - líderes históricos que conseguiram unir um país em crise.

Barack Obama passou adiante as esperanças e o "sonho" de igualdade racial de Martin Luther King e do movimento afro-americano dos direitos civis dos anos 1960, seduzindo quase metade dos eleitores brancos. Com 52,8% dos votos, contra 45,7% de John McCain, ele obteve o melhor resultado nas urnas de um candidato democrata desde Lyndon Johnson, em 1964.

Sua vitória histórica foi aclamada por multidões que se reuniram espontaneamente na Times Square, no coração de Nova York, em Washington, na frente da Casa Branca, e, sobretudo, no Grant Park, em Chicago, onde o presidente eleito discursou para 65.000 pessoas.

"Foi preciso muito tempo, mas esta noite, graças ao que conquistamos hoje e durante esta eleição, neste domingo histórico, a mudança chegou à América", disse Obama a americanos de todas as origens, em meio ao choro emocionado de muitos deles, que nunca imaginaram ver um negro ascender à presidência dos EUA.

Barack Obama deve sua vitória, em parte, à mobilização inédita das minorias: negra, mas também hispânica, em um país no qual as últimas leis discriminatórias foram abolidas apenas na década de 1960.

Antes do triunfo, ele travou uma dura e cansativa batalha de meses com a ex-primeira-dama dos EUA, que admitiu sua derrota somente em junho. A partir desse momento, os democratas, com Hillary Clinton à frente, uniram-se contra o rival republicano.

Afetado pelos oito anos de governo Bush, o presidente mais impopular da História americana, e por uma terrível crise econômica e financeira que explodiu em setembro, o republicano John McCain fez de tudo, sem sucesso, para conter a onda Obama.

O senador pelo Arizona surpreendeu, ao anunciar a governadora do Alasca, Sarah Palin, de 44, como sua vice. Praticamente desconhecida da cena política americana, essa "pit-bull de batom" conseguiu mobilizar a base republicana e chegou a ameaçar, por algum tempo, a popularidade de Obama. O "efeito Palin" passou rapidamente, porém, deixando o campo livre para o democrata, que não perdeu o fôlego.

Em 20 de janeiro de 2009, quando tomar posse, o 44º presidente dos EUA herdará a pior crise econômica desde os anos 1930. Pouco depois de sua eleição, o país foi declarado, oficialmente, em recessão. Somente em novembro, mais de 500.000 pessoas perderam o emprego, número que não se via desde 1974.

Favorecido pela maioria democrata, confirmada nas eleições de 4 de novembro, Obama planeja implantar "imediatamente" um novo plano de reaquecimento da economia, que poderá custar até 1 trilhão de dólares.

Na Política Externa, além das guerras no Iraque e no Afeganistão, ele terá de enfrentar um Paquistão instável, um Irã ameaçador e uma Rússia revigorada. O novo presidente pretende retirar seus soldados do Iraque, território onde as tropas americanas estão estacionadas desde 2003.

Na "guerra contra o terror", Obama diz estar pronto para usar toda a força dos EUA para "eliminar a ameaça". Nessa tarefa, contará com a ajuda e a experiência de seu vice-presidente Joe Biden, um veterano da política que passou 35 anos no Senado.

De olho na unidade do partido, designou sua ex-rival nas primárias Hillary Clinton como secretária de Estado.

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