2008 foi ano com mais desemprego nos EUA desde 1945

O ano de 2008 foi o pior para o mercado de trabalho nos Estados Unidos desde 1945: os números oficiais divulgados nesta sexta-feira dão uma nova percepção das dificuldades da maior economia do mundo e tornam ainda mais urgente a adoção rápida de um plano eficaz de reativação.

AFP |

Em dezembro, a perda de emprego passou de meio milhão (524 mil) pelo segundo mês consecutivo, elevando para 2,6 milhões o número de vagas perdidas durante o ano, sendo que 1,9 milhão de pessoas foram demitidas nos últimos quatro meses.

Esse número está dentro do esperado pelos analistas (525 mil), mas o índice de desemprego acumulado em 2008 (7,2%), o nível mais alto desde janeiro de 1993, superou as expectativas.

A surpresa ficou por conta da revisão, por parte do Departamento do Trabalho, do número de empregos eliminados em novembro (584 mil), em vez dos 533 mil anunciados inicialmente.

O fato de que a perda de emprego em dezembro tenha sido inferior à de novembro "traz apenas um pouco de consolo", escrevem os economistas da Moody's Economy.com, destacando que os serviços financeiros e o comércio varejista nunca destruíram tantos empregos em um ano.

"Há poucas dúvidas de que a recessão atual seja bem mais grave do que todas as das últimas décadas", acrescentaram. "A intervenção do governo é (...) o único meio de impedir uma situação ainda mais cataclísmica".

Para Nariman Beravesh, economista do IHS Global Insight, "o mercado de trabalho continua em queda livre", e a sangria deve se manter em 2009.

"Se um plano de recuperação orçamentária importante for adotado rapidamente, porém, então o ritmo das perdas de empregos poderá ser contido no segundo semestre", e a economia americana poderá recomeçar a ganhar vagas no início de 2010.

No acumulado de 2008, o setor de serviços, que emprega quase 85% da mão-de-obra americana não-agrícola, perdeu 1,2 milhão de postos. Na indústria, foi 1,4 milhão de empregos. Particularmente atingido, o setor de automóveis viu seu número de vagas despencar em mais de 17% desde o início oficial da recessão, em dezembro de 2007.

A perda de emprego em dezembro se espalhou por praticamente todos os setores da atividade econômica, salvo na educação, na saúde e na administração pública, onde foram criadas 717.000 vagas em 2008.

O número de desempregados hoje, nos EUA, chega a 11,1 milhões, segundo balanço do Departamento. Somam-se a eles mais de cinco milhões de pessoas que dizem querer encontrar um emprego, mas não são contabilizadas como parte da população economicamente ativa por diversas razões.

No caso dos que estão sem trabalho há 27 semanas ou mais, o número dobrou ao longo de 2008, atingindo 2,6 milhões, e 8 milhões de pessoas são obrigadas a trabalhar em horário parcial, devido à conjuntura econômica, ou seja, 74% a mais do que há 12 meses.

A situação é "muito grave" e exige "medidas imediatas", frisou o presidente eleito, Barack Obama. Segundo ele, sua equipe fez "grandes progressos" nas discussões com os membros do Congresso americano para a adoção, o mais rápido possível, do plano de estímulo da economia, que poderá custar pelo menos 800 bilhões de dólares.

O líder da Comissão parlamentar de Finanças, Barney Frank, pediu "um plano de estímulo orçamentário importante (...) de modo que a gente possa chegar a um acordo sobre as medidas a tomar".

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