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Incerteza e morte de policiais marcam a véspera das eleições no Quênia

26/12 - 14:48 - EFE

Nairóbi, 26 dez (EFE).- Três policiais mortos e acusações de fraude e incerteza em relação aos resultados marcam a véspera das eleições presidenciais e legislativas mais disputadas da história do Quênia.

Os policiais morreram hoje em Kisumu e autoridades acusaram os partidários do líder opositor Raila Odinga.

Kisumu, 500 quilômetros ao noroeste de Nairóbi, é a terceira cidade mais importante do Quênia e um bastião do Movimento Democrático Laranja (ODM), liderado por Odinga.

A morte dos agentes de segurança acontece em meio a críticas de Odinga e de seus partidários ao Governo por este supostamente usar a Polícia em benefício dos candidatos ao Governo.

Ninguém se atreve a prever qual será o resultado das eleições gerais de amanhã, quando mais de quatorze milhões de quenianos estão convocados a dar seu voto no pleito mais apertado da história do país.

Serão escolhidos um novo presidente e os 210 deputados do Parlamento.

As últimas pesquisas colocam Odinga como favorito. O líder do ODM começou e acabou a campanha no topo das pesquisas e está com menos de dois pontos de vantagem sobre o presidente do país e chefe do Partido de União Nacional (PNU), Mwai Kibaki.

Ontem, o presidente Kibaki negou as acusações feitas por seu rival sobre a possível manipulação das cédulas com a ajuda da Polícia. "Tratam-se de acusações sem fundamento", disse o governante.

Odinga disse que "a Polícia está disposta a modificar as cédulas que tem o dever de proteger".

A Comissão Eleitoral do Quênia (ECK), no entanto, afirma que não tem conhecimento de qualquer caso fraudulento.

Segundo o resultado das pesquisas iniciais, mais de 90% da população com direito a voto já decidiu quem quer eleger. As respostas às perguntas dos jornalistas são mais desejos que análises políticas.

"Odinga vai ganhar, é o candidato do povo, o único honesto", grita uma mulher que usa uma camisa do ODM.

"Kibaki é nosso homem, o único capaz de governar e dirigir este país em direção à prosperidade", afirma um taxista.

Ainda não foram registrados incidentes violentos em Nairóbi fora algumas brigas sem conseqüências graves.

As ruas da cidade registram muito pouco movimento e as autoridades também não consideraram necessário aplicar fortes medidas de segurança.

Os diferentes partidos políticos temem que sejam criados focos de violência por partidários de um ou de outro grupo, pois a Polícia prometeu agir com firmeza. Os candidatos exigem que os direitos cívicos dos eleitores sejam respeitados.

As eleições contarão com mais de 20 mil observadores locais e internacionais.

Todos os olhares estarão em Langata, circunscrição pela qual Odinga se apresenta ao Parlamento.

Em Langata, os meios de comunicação estão divididos quanto aos resultados. As análises indicam uma derrota do candidato do ODM diante de seu rival do PNU, Stanley Livondo.

O distrito é dominado pela etnia dos kikuyus, à qual pertence o presidente Kibaki. Odinga é luo e, além de maioria na eleição presidencial, precisa ser eleito deputado para aspirar ser chefe de Estado.

Também é necessário obter 25% dos votos em cinco das oito regiões do país.

A imprensa do país teme um surto de violência caso Odinga seja derrotado, especialmente no bairro de Kibera, um dos mais pobres da África, no coração de Langata, onde a Polícia decidiu manter forte presença para evitar enfrentamentos.

Os colégios eleitorais fecharão oficialmente às 18h local (13h de Brasília), mas acredita-se que permaneçam abertos por pelo menos três horas mais por causa das prováveis filas de eleitores.

Os resultados serão conhecidos na próxima sexta ou no sábado, ao serem confirmados pelos 22 membros da Comissão Eleitoral e não serem registradas denúncias de fraude. EFE pg lg/fal



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