20/12 - 17:31 - AFP
Eslováquia e Áustria realizaram cerimônias nesta quinta-feira para celebrar a extensão do espaço Schengen, a zona de livre passagem da União Européia, para nove países do antigo bloco soviético, a chamada "Cortina de Ferro".
O chanceler austríaco, Alfred Gusenbauer, e o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, fecharam a barreira fronteiriça que ficava entre os dois países no posto de Berg/Petrzalk, dando início a três dias de comemoração.
A adesão de República Tcheca, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia, Eslováquia e Eslovênia ao tratado do espaço Schengen elevarão para 24 o número de nações signatárias do acordo, com uma população total de 400 milhões de pessoas.
Na prática, essa expansão significa o fim das barreiras fronteiriças entre os ex-estados comunistas do leste europeu e seus vizinhos do oeste, derrubando também controles internos em uma zona que agora se estende da Espanha à Estônia.
"Estamos aqui na fronteira entre Bratislava e Viena para derrubar a mais simbólica das barreiras", disse Fico.
As capitais autríaca e eslovaca ficam a apenas 40 quilômetros de distância uma da outra, mas o primeiro-ministro da Eslováquia insistiu: "A partir da meia-noite de hoje você poderá viajar 4.000 quilômetros de Tallin, na Estônia, a Lisboa, em Portugal, sem qualquer controle de fronteira".
"Quando as pessoas forem a Bratislava daqui a 20 ou 30 anos, elas perguntarão onde ficava a fronteira afinal", afirmou por sua vez Gusenbauer.
Apresentações musicais, fogos de artifício e até mesmo uma discoteca no posto de Petrzalka-Berg estão entre os planos comemorativos para pôr a última pá de cal sobre o que restava da famigerada Cortina de Ferro.
Membros da União Européia, Reino Unido e Irlanda não participam do espaço Schengen por decisão própria, e membros recém-admitidos na UE, como Bulgária e Romênia, ainda não foram convidados para participar do tratado.
Mas essas importantes mudanças nas fronteiras só foram aprovadas depois de muito debate político.
A Áustria possui 1.260 km de fronteira com quatro novos membros do espaço Schengen (República Tcheca, Hungria, Eslováquia e Eslovênia). Muitos austríacos expressaram preocupação de que o fim do controle fronteiriço aumentaria as taxas de criminalidade em seu país.
Uma pesquisa do canal público de televisão ORF mostra que o número de cidadãos austríacos contrários ao fim das barreiras chegava a 75%.
Mas opiniões semelhantes surgiram do outro lado do muro, também.
"Isso permitirá que mais criminosos venham, por exemplo, da Áustria, a maior parte procedente da minoria turca, e também da ex-Iugoslávia", afirmou Ondrej Kralik, policial esloveno que trabalhou por 11 anos em diversos postos de fronteira de seu país.
Em Varsóvia, o chefe da Frontex (guarda de fronteira da União Européia), Ilkka Laitinen, alertou que a imigração ilegal pode ser o preço que a Europa irá pagar pela expansão do espaço Schengen.
Uma vez dentro da zona de livre circulação, legalmente ou não, os imigrantes estariam livres para se movimentar entre um estado e outro, argumenta.
No entanto, líderes políticos pareciam empenhados em dissipar esse tipo de receio.
O espaço Schengen "não tem nada a ver com criminalidade, nem com insegurança ou medo. É uma zona maior de paz, segurança e estabilidade", disse Gusenbauer.
Fico insistiu que a Eslováquia levaria a sério seu papel na segurança do continente.
Vários outros políticos da UE ressaltaram os aspectos positivos da expansão do espaço Schengen durante sua inauguração.
Os ministros do Interior da República Tcheca e da Eslováquia também comparecerão à cerimônia na fronteira.
A comissária das Relações Exteriores da União Européia, Benita Ferrero-Waldner, anunciou sua participação da cerimônia na fronteira entre St. Margareten, na Áustria, e Fertorakos, na Hungria, o ponto histórico onde a Cortina de Ferro começou a ser extinta em 1989.
Os ministros do Interior da Hungria e da Áustria, Albert Takacs e Guenther Platter, fecharam oficialmente a barreira no posto de fronteira onde, em 1989, os então ministros das Relações Exteriores Alois Mock da Áustria e Gyula Horn da Hungria derrubaram a cerca que simbolizava a divisão imposta pelo bloco comunista.
Mock compareceu à cerimônia desta quinta-feira, mas Horn se recuperava de uma doença, internado em hospital.
O primeiro-ministro húngaro, Ferenc Gyurcsany, deve discursar em Hegyeshalom, o principal posto de fronteira com a Áustria, uma hora antes da meia-noite.
A expansão do tratado do espaço Schengen exigiu anos de preparação, com uma série de exigências impostas aos países canditatos, que deveriam se unir ao Sistema de Informação de Schengen (SIS), que reúne dados sobre cidadãos, veículos e bens que circulam na zona do tratado.
Os 15 outros membros do espaço Schengen são Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Itália, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Portugal, Espanha, Suécia e Islândia.
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