18/12 - 08:50 - Lucas Dantas e Luiz Raatz, do Último Segundo
Rudy Giuliani era o prefeito da maior metrópole dos Estados Unidos quando viu dois aviões baterem nos dois prédios mais altos da cidade e começarem uma nova etapa da política internacional, que hoje tem como capítulo mais recente a guerra no Iraque.
Após os ataques terroristas em 11 de setembro, muitos o consideraram um herói, devido a sua atuação perante a crise. Ele liderou os trabalhos de resgate e esteve sempre à frente da cidade para mostrar apoio e serenidade em um momento difícil.
Giuliani conseguiu outro feito antes considerado impossível. Graças à sua política de tolerância zero, reduziu as taxas de criminalidade de Nova York a níveis de dar inveja à mais calma cidade da Finlândia, mas o custo foi alto. Ele é odiado pelos negros e hispânicos, considerados por muitos como o alvo preferencial da polícia durante a erradicação da violência. Em um caso famoso, um camelô africano desarmado foi morto por quatro policiais na porta de casa com 41 tiros.
O prefeito, reeleito em 1996, é adorado pela grande maioria dos cidadãos de Nova York. Sua popularidade tende a rivalizar a de Hillary Clinton, senadora pelo Estado. Não faz muito tempo, ele foi forçado a abandonar a eleição para o Senado devido a um câncer de próstata e viu a rival assumir o cargo.
Giuliani é o típico personagem que os americanos gostam. É um republicano com idéias abertas, bem ao estilo nova-iorquino, mas sua vida pessoal sempre esteve cercada de muitos problemas, o que assusta os americanos ainda traumatizados com um presidente infiel. Giuliani sempre pediu que se focassem em sua vida política respeitando sua privacidade, mas sabe muito bem, que isso é uma das coisas que um candidato à presidência raramente consegue.
Biografia
Rudy nasceu em 1944 em uma família de imigrantes italianos do Brooklyn. Viveu a infância e a adolescência na Big Apple e se formou advogado pela Universidade de Nova York. Ele fez carreira na promotoria pública do Estado nos anos 70 e em 1981 entrou para o governo Reagan, com assistente do Advogado-Geral da União. Giuliani se tornou prefeito de Nova York em 1993 e exerceu o cargo por dois mandatos. Quando saiu do governo, abriu uma firma de consultoria em gerenciamento de crise.
Idéias
Giuliani é um republicano que apóia o aborto, a união civil entre homossexuais e restrições na venda de armas, assuntos que o partido republicano demonstra um alto grau de conservadorismo.
Mas, como a maioria dos republicanos, Giuliani diz que a guerra contra o terror pode durar décadas. Ele não quer um cronograma para a retirada das tropas do Iraque e apoiou a decisão de Bush de enviar mais tropas para o país. Quanto ao Irã, assessores do ex-prefeito ainda defendem uma ação militar para deter o programa nuclear persa “ o quanto antes”.
O ex-prefeito de NY reconhece publicamente que o aquecimento global é um fato científico, causado pelo homem. Ele aposta biocombustíveis e na energia nuclear para resolver o problema, no entanto não menciona algum tipo de limite para emissões de CO2. Sua firma de advocacia faz lobby pelas termelétricas a base de carvão, que poluem muito, e é ligado a empresas do setor energético.
Além das idéias liberais, Giuliani possui outra semelhança com Hillary. Ambos tiveram problemas no casamento, sendo que ela conseguiu manter a relação. Giuliani, por sua vez, anunciou em entrevista coletiva à imprensa que estava se separando de Donna Hanover, para ficar com a namorada Judith Nathan. Não haveria problema algum no fato, se ele tivesse avisado à esposa, antes de falar com a imprensa. Donna ficou sabendo ao mesmo tempo em que o resto do país, ao vivo, pela televisão.
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