Juan Palop Tóquio, 18 dez (EFE).- O Japão concluiu hoje com sucesso sua primeiro tentativa de interceptar um míssil balístico sobre o Oceano Pacífico, um passo-chave na construção do escudo antimísseis que Tóquio prepara há anos para se proteger da ameaça norte-coreana.
O teste foi uma demonstração da capacidade tecnológica do Japão no âmbito militar, além de um dos mais aparentes frutos da colaboração bilateral entre Tóquio e Washington em matéria de defesa.
O exercício militar combinou o uso do sistema de detecção de mísseis Aegis, a mais nova tecnologia americana no setor, e o novo interceptor de mísseis Standard Missile 3 (SM-3), só testado anteriormente pelos Estados Unidos.
Os testes foram concluídos às 7h12 do Japão (21h12 de segunda-feira em Brasília), quando um SM-3 lançado do navio de guerra japonês Kongou destruiu, a 100 quilômetros sobre a superfície terrestre, um míssil de médio alcance lançado minutos antes da base da Marinha americana na ilha de Kauai (Havaí).
Segundo os analistas, a manobra japonesa poderia levar a uma série de reações negativas dos países da região, já que deixa claro que o equilíbrio de forças na região foi alterado.
Os testes militares no extremo leste da Ásia são sempre polêmicos, pois neste cenário atuam pesos pesados da política internacional, como Rússia, China, Japão e Estados Unidos, e suas visões nem sempre são coincidentes em questões territoriais.
A integração militar entre Japão e Estados Unidos também provoca temores no país asiático, já que alguns denunciam que a Constituição pacifista proíbe Tóquio de participar de sistemas coletivos de defesa e conflitos internacionais.
O ministro porta-voz japonês, Nobutaka Machimura, disse que este teste é "muito importante para a segurança do Japão" e que é necessário realizá-lo de forma contínua.
Já o ministro da Defesa japonês, Shigeru Ishiba, afirmou que o teste "marca um grande progresso nos esforços para aumentar a credibilidade do sistema de interceptação de mísseis do Japão".
Há nove anos Tóquio trabalhava no desenvolvimento de um escudo antimísseis, mas o projeto foi acelerado após os lançamentos pela Coréia do Norte, em 2006, de seis mísseis de alcance médio e de um Taepodong-2, com autonomia para atravessar o Pacífico e alcançar a costa oeste dos Estados Unidos.
O projeto de reforçar a defesa do espaço aéreo do Japão nasceu em 1998, pouco depois de a Coréia do Norte lançar um míssil de longo alcance rumo ao Oceano Pacífico que sobrevoou o território japonês.
No entanto, Tóquio não decidiu oficialmente trabalhar de forma conjunta com Washington no desenvolvimento de um escudo antimísseis até 2003.
O plano do Ministério da Defesa japonês é equipar com o SM-3, até 2010, os três destróieres das Forças Marítimas de Autodefesa que já dispõem do sistema de detecção Aegis.
O sistema SM-3 é desenvolvido para interceptar mísseis balísticos fora da atmosfera da terra, atuando na mais externa das duas camadas de proteção do escudo antimísseis japonês.
A outra é o sistema defensivo Patriot Advanced Capability-3 (PAC-3), que dispara mísseis do tipo Patriot de instalações em terra e está preparado para atuar em caso de falha no SM-3.
O Ministério da Defesa japonês planeja realizar este mês testes de desdobramento de plataformas de lançamento de mísseis PAC-3 em Tóquio para avaliar as capacidades defensivas da capital diante de um eventual ataque da Coréia do Norte, como publicou recentemente a imprensa.
O sistema PAC-3 já foi instalado em março deste ano na base de Iruma, situada na província de Saitama, ao norte de Tóquio, como uma primeira tentativa de proteger a capital japonesa.
Até 2010 o Japão planeja instalar um total de 30 plataformas de lançamento PAC-3 em dez bases militares situadas no centro e no sul do arquipélago. EFE jpm ev/dgr