17/12 - 17:08 - Juliana Galzerano, repórter Último Segundo
SÃO PAULO - Os Estados Unidos vão às urnas em 2008 e podem reconduzir ao poder um Clinton. Ou melhor, uma Clinton. Se isto acontecer, até o fim do eventual mandato de Hillary, em 2012, apenas duas famílias terão dominado o cargo mais poderoso do mundo durante 24 anos. Desde a eleição de George H. Bush até hoje, os Estados Unidos tiveram apenas dois presidentes: Bill Clinton em 1992 e 1996 e Bush filho, em 2000 e em 2004. Veja um pouco mais sobre as últimas corridas eleitorais norte-americanas.
As eleições de 1992 aconteceram quando o presidente George H. Bush alcançava os maiores índices de popularidade desde a Segunda Guerra Mundial por causa do sucesso da guerra do Golfo (Operação Tempestade do Deserto) e se candidatou à reeleição.
As primárias republicanas não tiveram muito disputa. Apesar do jornalista Pat Buchanan também ter tentado a nomeação do partido, George H. Bush e seu vice-presidente, Dan Quayle, facilmente conseguiram aprovação para concorrer novamente.
Muitos democratas também desistiram de se candidatar a eleição, com medo da popularidade de Bush, e por isso a lista de pré-candidatos do partido foi considerada uma das mais fracas já feitas. O então governador do Arkansas, Bill Clinton, entrou na corrida tendo como vice-presidente Al Gore, o atual ganhador do Prêmio Nobel da Paz.
É a economia, estúpido
A campanha presidencial das eleições de 1992 se baseou, principalmente, em assuntos econômicos. Com o slogan “it’s the economy, stupid” (algo como “ o problema é a economia, estúpido”, Bill Clinton conquistou a 42ª presidência dos EUA no dia 3 de novembro de 1992. Ele venceu por uma ampla margem no Colégio Eleitoral, apesar de só ter recebido 43% dos votos populares. Com essa vitória, os democratas interromperam uma sucessão de 12 anos de presidente republicanos.
A vitória foi possível porque com o passar da corrida eleitoral, a popularidade de Bush foi caindo por causa de uma recessão econômica que os americanos enfrentaram, causando aumento do índice de desemprego. O presidente passou a ser visto como extremamente focado nas relações internacionais.
As eleições de 1996 foram marcadas por controvérsias financeiras. Bill Clinton e Al Gore conquistaram a nomeação democrata sem praticamente nenhuma oposição, mas o Comitê Nacional Democrata foi investigado pelo departamento de Justiça dos EUA sob acusações de que a República Popular da China estava doando dinheiro para as campanhas. Cidadãos não-americanos são proibidos de fazerem doações financeiras para um candidato ou um partido.
Concorrendo contra os democratas estava o senador Bob Dole, para presidente, e Jack F. Kemp, para vice. Os republicanos venceram a nomeação republicana, ganhando em todos os estados. Eles deixaram para trás o jornalista Pat Buchanan, o congressista Robert K. Dornan, o empresário Steve Forbes e o ex-diplomata Alan Keyes.
Pela primeira vez desde Franklin Roosevelt, um democrata conquistou a reeleição. Clinton teve um primeiro mandato sem ameaças estrangeiras sérias e com uma economia relativamente forte. Com 379 votos do colégio eleitoral, contra 159 de Dole, venceu com facilidade.
A eleição mais polêmica da história
No ano 2000, o ex-vice-presidente Al Gore ganhou as primárias do Partido Democrata, e escolheu Joe Lieberman para ser seu vice-presidente. Concorrendo contra ele, estava o filho do ex-presidente, George W. Bush, e Dick Cheney, como vice-presidente, que derrotou John McCain nas prévias republicanas.
Os dois candidatos estiveram no centro do que pode ser considerado as eleições mais polêmicas da história dos EUA. No dia da de eleição, as redes de televisão anunciaram que Al Gore havia ganhado o estado da Flórida, segundo pesquisas de boca-de-urna.
Quarto Estado mais populoso do país, a Flórida era considerada um estado decisivo para o resultado final por causa do grande número de votos que levaria para o colégio eleitoral. Gore tinha vencidos nos Estados mais populosos da costa oeste e do nordeste e Bush levou a maioria do meio oeste, centro e sul dos Estados Unidos, a maioria com uma população pequena, e consequentemente, poucos votos no colégio eleitoral. Assim, quem ganhasse na Flórida, venceria a eleição.
Poucas horas depois, as redes se retrataram, dizendo que nada havia sido decidido. Logo depois, foi anunciado que Bush havia ganhado o estado, porque com 85% dos votos contados, Bush contava com 100 mil a mais.
Quando Al Gore se preparava para fazer o seu discurso e reconhecer sua perda, houve novamente uma mudança, pois os distritos que faltavam para encerrar a apuração (Miami-Dade, Palm Beach e Broward) tinham tradicionalmente maioria democrata. Gore começou a tirar a diferença para Bush.
Na manhã do dia seguinte à eleição, Bush tinha 500 votos a mais que Gore e o democrata pediu uma recontagem, algo previsto nas leis estaduais da Flórida. A decisão foi parar na Suprema Corte, que declarou a recontagem inconstitucional. Bush venceu a disputa popular estadual por 537 votos e levou os 25 delegados do estado para o colégio eleitoral. Na eleição indireta, venceu por 271 a 266. Gore teve a maioria do voto popular, com 48,4% sobre 47,9% de Bush, mas voltou para casa e virou ativista ambiental.
Após oito meses no cargo, aconteceram os ataques de 11 de setembro em Nova York e a reação de Bush elevou sua popularidade em 90%. Com isso, nas eleições primárias de 2004, ele não teve nenhum sério competidor dentro do Partido Republicano e acabou sendo nomeado candidato à reeleição, junto com seu vice-presidente, Dick Cheney. O Partido Democrata elegeu para seu representante John Kerry como presidente e John Edwards como seu vice.
A campanha das eleições envolveu, principalmente, a guerra contra o terror e a invasão do Iraque, que aconteceu em 2003. Porém, os americanos queriam uma continuidade das políticas de Bush, que era visto como protetor da segurança dos EUA, e por isso o elegeram para seu segundo mandato.
Nesse segundo mandato, a popularidade de Bush atingiu os níveis mais baixos de sua história como presidente, a guerra do Iraque consumiu grandes verbas do dinheiro norte-americano.
Isso acabou fazendo com que os atuais pré-candidatos, republicanos e democratas, fizessem a maior campanha interna já vista na história dos EUA para as eleições de 2008.
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