08/12 - 12:13 - Reuters
LISBOA - Líderes da União Européia e da África se reuniram no sábado para criar uma nova estratégia de parceria no primeiro encontro em 7 anos, marcado pelo desconforto gerado pela presença do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe.
Pressionados pelo crescente investimento e influência da China na África, o objetivo dos europeus é chegar a um acordo sobre um plano de ação ambicioso com o continente mais pobre do mundo para revitalizar o comércio, mas também melhorar a cooperação em áreas como imigração e manutenção da paz.
Antes mesmo do início do encontro, diferenças sobre novos acordos de comércio e a presença de Mugabe --acusado pelo Ocidente de agir como ditador e destruir a economia de seu país-- interferiu no clima do evento em Lisboa.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, boicotou o encontro devido à participação de Mugabe.
A questão de Mugabe, que é visto por muitos na África como um herói da independência, ressalta o difícil relacionamento entre a África e os ex-poderes coloniais, alguns dos quais deixaram o controle das colônias há poucas décadas.
'O significado real deste encontro deve ser a fundação de uma nova parceria baseada em respeito mútuo', disse John Kufuor, presidente de Gana e atual chefe da União Africana.

Ele disse que encontros como esse ajudam a romper com o relacionamento passado doloroso que incluiu escravidão, poder colonial e apartheid. 'A Europa precisa da África tanto quanto a África precisa da Europa.'
Grandes investimentos da China na África nos últimos anos, com Pequim assegurando matéria-prima para alimentar sua crescente economia, aumentaram a confiança no continente e preocupam a Europa quanto à perda de oportunidades.
Alguns países africanos acolhem o envolvimento econômico com a China em parte por ocorrer sem a necessidade de reconhecimento dos direitos humanos, o que os acordos e ajudas europeus requerem.
Líderes africanos e europeus discordam da insistência da UE de que países africanos assinem um novo Acordo de Parceria Econômica até 31 de dezembro, quando expira a concessão do atual tratamento preferencial da Organização Mundial de Comércio (OMC).
'Nós não podemos ser forçados em uma camisa-de-força, não funciona assim', disse o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, em entrevista a uma TV francesa.
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