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Professora condenada por chamar urso de Maomé recebe indulto presidencial

03/12 - 14:26 - EFE

Nouri al-Zaki Cartum, 3 dez (EFE).- A professora britânica Gillian Gibbons, detida no Sudão por permitir que seus alunos batizassem um urso de pelúcia com o nome de Maomé, foi libertada hoje, após uma longa semana na qual foi detida, julgada, condenada e indultada.

Imediatamente após a divulgação da notícia de sua libertação, graças ao indulto do presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, cerca de 300 pessoas se concentraram em frente à embaixada britânica para protestar contra a medida.

A maioria dos manifestantes gritava palavras de ordem contra o Reino Unido e pedia a execução da professora por ter insultado o Islã, apesar de a pena máxima a que podia ser condenada oscilava entre seis meses de prisão, uma multa ou 40 chicotadas.

O advogado Kamal al-Yizuri afirmou que a professora já foi levada para a embaixada britânica em Cartum e que é provável que retorne ao país com os dois parlamentares britânicos de religião muçulmana que negociaram sua libertação.

O anúncio do indulto a Gibbons foi feito por dois membros da Câmara dos Lordes, Nazir Ahmed (trabalhista) e a baronesa Sayeeda Hussain Warsi (conservadora), aos quais Bashir pediu que "melhore a imagem do Sudão" no Ocidente, segundo um porta-voz presidencial, Mahgoub Fadel.

Um amplo dispositivo policial em torno da embaixada impediu o acesso dos manifestantes a seu interior, onde Gillian permanecia na companhia dos dois parlamentares.

Gillian, de 54 anos, professora de inglês em uma escola sudanesa desde agosto, foi detida em 25 de novembro sob a acusação de ter ofendido o profeta Maomé, após receber várias queixas dos pais de seus alunos.

A professora tinha pedido a uma menina de 7 anos que levasse seu urso de pelúcia e depois sugeriu a seus alunos que escolhessem um nome, segundo Robert Boulos, diretor da Unity School, no qual Gillian trabalhava.

De acordo com Boulos, 22 das 23 crianças escolheram Maomé como nome favorito para o ursinho.

Dois dias depois, as suspeitas policiais se tornaram uma acusação formal feita pela Promotoria do Sudão, que decidiu apresentá-la no dia seguinte aos tribunais conforme o artigo 125 do Código Penal sudanês "por ofensas às crenças religiosas e incitação ao ódio".

O tribunal que a julgou em um processo relâmpago, que começou e terminou na quinta-feira, considerou Gillian culpada de ofender a religião e a condenou a 15 dias de prisão e à deportação.

Após a divulgação da sentença, Londres iniciou uma intensa campanha diplomática para encontrar "uma solução rápida para a questão", segundo fontes britânicas.

Em Cartum, milhares de sudaneses se manifestaram após a oração de sexta-feira para protestar contra o que consideraram uma "sentença branda" e exigir que a professora fosse executada.

A gravidade da crise levou o Executivo sudanês a transferir Gillian da prisão de mulheres de Omdurman, onde estava presa, a um lugar secreto, para garantir sua segurança e evitar que fosse linchada.

A professora britânica retornará ao Reino Unido nas próximas horas junto aos dois parlamentares, o que colocará fim à "crise do urso de pelúcia". EFE az-jfu-fjo dgr



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