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Jornalista mexicana levará seu caso a instâncias internacionais

30/11 - 02:12 - EFE

Guadalajara (México), 29 nov (EFE).- A jornalista mexicana Lydia Cacho disse nesta quinta-feira à agência Efe que levará a instâncias internacionais o caso de sua detenção em 2005, sobre o qual a Suprema Corte do México emitiu nesta quinta-feira um veredicto que inocenta as autoridades responsáveis.

Cacho, que denunciou uma rede de pedofilia, foi detida em dezembro de 2005 em Quintana Roo, no sudeste do México, por policiais do estado de Puebla, no centro.

A medida foi tomada como represália e decidida pelo governador de Puebla, Mario Marín, e pelo empresário Kamel Nacif, segundo conversas telefônicas entre os dois divulgadas pela imprensa e analisadas na Corte. Eles estavam envolvidos na rede de pedofilia denunciada por Cacho.

"Já temos pronto o expediente para as organizações internacionais", disse a jornalista. Mas ela não mostrou muitas esperanças de mudar a resolução do tribunal.

O veredicto conclui que nem Marín nem os outros acusados cometeram violações graves às garantias individuais de Cacho. Além disso, negou a validade legal das gravações telefônicas, por terem sido feitas sem mandato judicial.

Cacho espera que a Corte Interamericana de Direitos Humanos emita alguma recomendação.

"O caso é gravíssimo, não somente a violência contra mim, mas o aparelho do Estado sendo utilizado para acobertar o caso de pornografia infantil", denunciou a jornalista.

Cacho criticou abertamente as juízas da Suprema Corte Olga Sánchez e Margarita Luna. As duas, acusou, tinham se comprometido a acompanhar o voto do relator do caso, Juan Silva Meza, e abrir um processo contra o governador de Puebla.

A resolução da Corte, acrescentou, também é uma bofetada no jornalismo mexicano.

Cacho ressaltou que sobreviveu por milagre quando foi detida e que o governador protege um empresário "que compra meninas por US$ 2 mil para ter orgias com elas".

Desde sua detenção, em dezembro de 2005, a jornalista foi alvo de um atentado fracassado contra sua vida e de constantes ameaças de morte. EFE cff mf



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