25/11 - 14:09 - AFP
O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, evitou aumentar a polêmica com o seu colega venezuelano Hugo Chávez, que o acusou de "traição", convidando o mesmo a encarar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) como um inimigo em comum.
Muitos esperavam um aumento das discussões, após a dura crítica de Chávez pela forma abrupta como Uribe o retirou do papel de mediador com a guerrilha. Entretanto, Uribe surpreendeu e pediu que Chávez não "caia nas armadilhas" das Farc para abalar as relações entre os dois.
"Esse é o maior interesse do grupo terrorista das Farc: criar fissuras entre a Colômbia e a Venezuela", assinalou o presidente em um comunicado.
Uribe reiterou a "disposição de manter um diálogo construtivo" com Chávez e exigiu que a guerrilha liberte os 45 seqüestrados, entre eles a ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt.
A resposta de Uribe pode ser considerada leve se comparada às palavras de Chávez, que na madrugada de sábado afirmou ter perdido a confiança no presidente colombiano, com quem manteve estreitas relações nos últimos meses.
"Sinto-me traído, porque Uribe deveria pelo menos ter me ligado", protestou Chávez em uma entrevista.
Uribe encerrou na quarta-feira passada a mediação realizada por Chávez desde 31 de agosto. O motivo seria uma ligação feita pelo presidente da Venezuela para o comandante do Exército colombiano, general Mario Montoya.
Chávez afirmou que a ligação foi casual e foi feita com o consentimento da senadora colombiana Piedad Córdoba, que também atuava como mediadora.
A conversa tinha como objetivo convencer os militares a se retirarem de dois municípios, para que fosse possível uma negociação com as Farc, o que Bogotá não aceita, segundo a imprensa local.
Os ataques de Chávez contra o governo de Uribe são os mais fortes desde a crise diplomática causada pela captura, em Caracas, do chamado 'chanceler das Farc', Rodrigo Granda, por agentes venezuelanos pagos por autoridades colombianas, em janeiro de 2005.
Apesar do fim da mediação, Chávez pediu novamente que as Farc enviem provas de que os reféns estão vivos. Entre os seqüestrados, se encontram, além de Ingrid Betancourt, três americanos e um grupo de políticos e militares colombianos.
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