Caracas, 8 nov (EFE).- Dirigentes estudantis de oposição suspenderam hoje uma passeata contra os atos de violência registrados na última quarta-feira na Venezuela, para evitar novos confrontos entre grupos ideologicamente rivais.
Stalin González, presidente da Federação de Centros Universitários da Venezuela, explicou que a decisão foi tomada devido à presença de corpos policiais na entrada da Universidade Central da Venezuela (UCV) e pela concentração de estudantes chavistas na Universidade Bolivariana.
A manifestação tinha como ponto de partida a UCV, e seu destino final era a sede da Procuradoria-Geral do país, onde os manifestantes tinham previsto entregar supostas provas de que os conflitos da quarta-feira, nos quais nove pessoas ficaram feridas, haviam sido causados por simpatizantes do Governo.
O protesto, convocado na tarde da quarta-feira, não pôde obter as permissões regulamentares da Prefeitura, e por isso teria que ser realizado de forma ilegal.
Essa circunstância fez com que tropas antidistúrbios da Polícia metropolitana e da Guarda Nacional fossem postadas nas entradas principais da UCV, a fim de impedir a saída dos estudantes.
A suspensão da passeata foi acompanhada pela troca de acusações entre representantes de ambos os grupos.
A atual crise estudantil tem como pano de fundo o confronto entre os que aprovam a reforma constitucional promovida pelo presidente Hugo Chávez e aqueles que a rejeitam.
Estes últimos sustentam que a maioria da população não conhece o verdadeiro alcance da reforma e, portanto, não está capacitada a tomar uma decisão consciente no referendo convocado para 2 de dezembro, que decidirá sua aprovação ou rejeição.
Em conseqüência, pediram ontem ao Tribunal Supremo de Justiça que suspenda a consulta ou que a adie por três meses.
O projeto impulsionado por Chávez prevê a modificação de 69 artigos dos 350 da Constituição de 1999 e, segundo o Governo, tem como objetivo "aprofundar a revolução socialista e bolivariana".
A oposição sustenta, por sua parte, que não se trata de uma modificação constitucional, mas da imposição de uma nova Carta Magna que mudará totalmente os parâmetros institucionais e cerceará gravemente as liberdades dos cidadãos. EFE rr gs