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Chile sedia Cúpula Ibero-americana e aposta em debate sobre coesão social

07/11 - 14:18 - EFE

SANTIAGO - O Chile sedia a partir da próxima quinta-feira a 17ª Cúpula Ibero-americana. O principal tema do encontro é coesão social.

O assunto a ser discutido na cúpula, de 8 a 10 de novembro, foi proposto pela própria presidente chilena, Michelle Bachelet, durante a edição anterior do evento, em Montevidéu, em novembro de 2006.

Devido a sua preocupação pela existência de grandes desigualdades no âmbito social, Bachelet propôs o tema da "coesão" para proporcionar sociedades mais justas na região ibero-americana.

O executivo do Chile reiterou em diversas ocasiões, desde que no último dia 11 de janeiro o país assumiu a Secretaria "pro tempore" - equivalente à chefia temporária - da cúpula, a importância estratégica, tanto para o país como para toda a região, da abordagem de temas como coesão e inclusão sociais.

Segundo dados da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), apesar de vários anos consecutivos de "um notável desempenho econômico e social", na região a extrema pobreza afeta 14,7% da população.

Nesse contexto, a Cepal também informou que "a coesão social surge como um tema prioritário em um momento em que a humanidade vive um período de mudança".

A organização define essa coesão social como o processo de "diálogo" entre mecanismos instituídos de inclusão e exclusão sociais e as respostas, percepções e disposições da cidadania frente ao modo como estes operam.

O ministro das Relações Exteriores chileno, Alejandro Foxley, declarou que "embora na América Latina, ao longo da última década, tenham acontecido fatos positivos como a recuperação da democracia e a abertura de economias, tais avanços não foram sempre acompanhados do desenvolvimento de políticas sociais com justiça social, nem de reformas democráticas que institucionalizassem uma ordem mais igualitária".

"Não basta ter muitos tratados de livre-comércio bem-sucedidos se o Governo não é capaz de incorporar, dentro dos benefícios do desenvolvimento e em um horizonte de tempo razoavelmente breve, os setores marginalizados", completou Foxley.

Nessa linha, o chanceler chileno também destacou que o ponto central da 17ª Cúpula Ibero-americana "é uma afirmação de otimismo, de que é possível avançar rumo a uma maior coesão social na América Latina e a uma redução das desigualdades".

Definitivamente, como declarou o chefe da Secretaria Geral Ibero-americana (Segib), Enrique Iglesias, o desafio da coesão social "interpela toda uma história da América Latina, uma história de altos e baixos, de crises e sucessos, mas uma história de uma região que está podendo crescer muito mais (...) e que tem a oportunidade, com políticas adequadas, de elevar sua coesão".

Esta é a segunda vez que o Chile sedia a Cúpula Ibero-Americana de chefes de Estado e de governo. A primeira foi em 1996 em Santiago e Viña del Mar, e na ocasião os líderes abordaram o tema "Governabilidade para uma Democracia Eficiente e Participativa".

Nos meses que antecederam à realização da segunda cúpula em território chileno ocorreram, em diferentes locais do país, dez reuniões ministeriais preparatórias, presididas por ministros.

Além disso, foi promovido no Chile também o 3º Fórum Parlamentar Ibero-americano e o 2º Fórum Ibero-americano de Governos Locais.

Entre os acordos obtidos nesses encontros setoriais, que servirão para dar à Cúpula de chefes de Estado e de Governo ainda mais subsídios para discussão, cabe destacar o projeto do Convênio Multilateral Ibero-americano de Segurança Social.

Tal convênio garantiria benefícios a trabalhadores independentemente do país onde desenvolvem suas atividades e, portanto, beneficiariam cinco milhões de imigrantes e suas famílias.

O ministro do Trabalho e Previdência Social do Chile, Osvaldo Andrade, assegurou que o convênio "tem uma importância transcendental diante das circunstâncias do mundo atual, no qual as correntes migratórias são cada vez maiores".

Também foi realizada no Chile a 9ª Conferência Ibero-americana de ministros da Saúde, que reivindicou em julho a diminuição da exclusão no acesso aos serviços de saúde mediante o desenvolvimento de redes de atendimento primário públicas e de cobertura universal.

Outros encontros setoriais realizados promoveram debates sobre Cultura, Infância e Adolescência, Meio Ambiente, Administração Pública, Moradia e Gênero.

Leia mais sobre: Cúpula Ibero-americana





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