07/11 - 18:41 - Reuters

HELSINQUE - As brandas leis finlandesas relativas à posse de armas de fogo provavelmente serão muito criticadas diante do incidente de quarta-feira, quando um rapaz de 18 anos matou sete crianças e uma diretora de escola no país.
Cerca de 56 por cento dos finlandeses têm arma, segundo estudo feito neste ano pelo Instituto Graduado de Estudos Internacionais, de Genebra. Só nos Estados Unidos e no Iêmen a proporção é maior.
O governo diz que a baixa criminalidade na Finlândia torna desnecessária uma lei mais rígida. Mas o primeiro-ministro Matti Vanhanen disse que essa percepção pode mudar por causa da chacina realizada em Tuusula (sul) por um rapaz que no mês passado obteve num clube de tiro a licença de porte para uma pistola calibre .22.
'Definitivamente isso vai impactar as opiniões sobre as pistolas', disse Vanhanen em entrevista coletiva depois do incidente, na qual prometeu que o governo vai examinar o assunto.
A legislação da União Européia proíbe a venda de armas para menores de 18 anos, exceto para a prática da caça e do tiro esportivo.
Neste ano, a UE propôs abolir essas exceções, o que provocou protestos da Finlândia, que alegou que a caça é uma popular atividade de lazer no país. A proposta permitiria que menores usem armas apenas se acompanhados de um responsável.
Em 2006, havia 300 mil caçadores entre os 5,3 milhões de habitantes da Finlândia, segundo o departamento nacional de estatísticas. Cerca de 38 mil deles tinham menos de 20 anos.
Qualquer pessoa maior de 15 anos pode solicitar porte de arma à polícia local se puder oferecer uma razão válida -- caso seja menor, é preciso de aval dos responsáveis. A forma mais fácil de obter a licença é entrando para um clube de caça ou tiro, como fez o assassino de Tuusula.
Incidentes violentos são raros nas escolas finlandesas, onde não há detectores de metais, comuns nas escolas norte-americanas.
O massacre do colégio Jokela pode mudar tudo isso, disse Timo Myllyntaus, professor de História na Universidade de Turku.
'Esta é uma violência muito brutal, sem razão óbvia, e parece ter sido cuidadosamente planejada e pode mudar a vida escolar e universitária neste país', afirmou. 'As escolas e universidades finlandesas são muito pacificas comparadas com as norte-americanas.'
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