06/11 - 16:26, atualizada às 17:47 06/11 - Redação com EFE
BAKU - O presidente turco, Abdullah Gül, convocou, nesta terça-feira, os Estados Unidos a combater terroristas em todo o território do Iraque, inclusive o norte, onde há bases do grupo armado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
"Os americanos são obrigados a lutar contra todos os grupos terroristas no Iraque, sem estabelecer diferenças entre eles", disse Gül em entrevista coletiva conjunta com o colega azerbaijano, Ilham Aliyev.
Para o presidente turco, "seria contraditório lutar contra o terrorismo em uma região do Iraque e não em outra".
"Isto é importante não só do ponto de vista do apoio à Turquia no combate ao terrorismo, mas do ponto de vista da responsabilidade dos próprios EUA", argumentou.
Gül assegurou que "a postura de todas as estruturas de poder na Turquia com com relação ao PKK coincidem. Os passos necessários para pôr fim à ameaça do terrorismo também estão claros", disse.
De acordo com Gül, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan "ressaltou a disposição da Turquia de cortar pela raiz a praga do terrorismo" durante sua reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, George W. Bush, na segunda-feira.
Depois de se reunir com Erdogan, Bush prometeu ajuda e chamou os rebeldes curdos de "inimigos da Turquia, de um Iraque livre e dos EUA". Ele também assegurou que haverá uma colaboração mais estreita entre comandantes militares para acompanhar os movimentos das guerrilhas que agem na zona fronteiriça entre a Turquia e o Iraque.
A Turquia ameaça há semanas lançar uma ofensiva militar em larga escala contra as bases do PKK no norte do Iraque, algo que Washington e o Governo iraquiano querem evitar.
Durante os últimos anos, a autoridades turcas criticaram os EUA por não terem feito o suficiente para acabar com atividades terroristas do PKK no território autônomo curdo do norte do Iraque.
Erdogan assegurou hoje que a Turquia está "decidida a dar os passos políticos, diplomáticos e militares necessários que o Parlamento autorizou ao Governo com o objetivo de lutar contra os nichos do PKK".
Em visita à Turquia, o presidente do Azerbaijão (país vizinho da área povoada por curdos) expressou a Gül seu "pleno apoio" no combate ao terrorismo.
Estado sem Nação
Os curdos formam um grupo étnico que vive no Oriente Médio espalhados pelo norte do Iraque, sudeste da Turquia e partes da Síria e do Irã. Falam a mesma língua e têm a mesma religião e costumes culturais. Apesar dessa região ser comumente chamada de Curdistão, o Estado independente curdo não existe. O tamanho dessa população é incerto, mas estima-se que esteja entre 27 e 36 milhões de pessoas.
Os curdos que vivem na Turquia tentaram sua independência com o fim do império Otomano, após o fim da Primeira Guerra Mundial, mas fracassaram. Durante todo o século 20, revoltas curdas foram esmagadas na Turquia e no Iraque, principalmente sob o domínio de Saddam Hussein.
Criado em 1978, o PKK lançou em 1984 sua luta armada pela criação de um Estado curdo independente e intensificou suas operações depois de pôr fim, em 2006, a uma trégua unilateral. Segundo um balanço oficial, o conflito provocou mais de 37 mil mortos.
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