06/11 - 09:06 - AFP

O presidente paquistanês Pervez Musharraf se esforça para resistir às intensas pressões internacionais, principalmente de Washington, para que acabe com o estado de exceção decretado no sábado e organize as eleições legislativas previstas para janeiro.
Por um lado, Islamabad endureceu sua posição ao rebater as críticas de quase todos os países ocidentais e invocar a soberania nacional ante a ameaça do terrorismo islâmico. Por outro, o general Musharraf suavizou o discurso e prometeu celebrar as legislativas em uma data o mais próxima possível da inicialmente prevista.
Pressão dos EUA
Os Estados Unidos elevaram o tom e ameaçaram rever as relações com o Paquistão, aliado estratégico na "guerra contra o terrorismo". Washington é o principal financiador desta luta.
O presidente George W. Bush pediu na segunda-feira ao general Musharraf o fim do estado de exceção e a volta da democracia.No entanto, não revelou que decisões adotaria em caso contrário, em particular se cortaria a ajuda ao Paquistão.
Washington, que conta com Islamabad para combater a Al-Qaeda e os talebans no Paquistão e no vizinho Afeganistão, concedeu US$ 11 bilhões a Islamabad desde 2001, uma ajuda econômica destinada quase exclusivamente ao exército.
"É evidente que deveremos reexaminar nossa ajuda", advertiu também a secretária de Estado, Condoleezza Rice. "Porém, continuamos com interesses antiterroristas e devemos continuar protegendo os cidadãos americanos", disse ainda.
Linha-dura
A situação no Paquistão ficou dramática na segunda-feira, terceiro dia do estado de exceção, com a violenta repressão de manifestações de advogados e o prosseguimento das detenções.
"Entendemos que muitos de nossos aliados têm feito comentários sobre a proclamação do estado de exceção no país, que é antes de mais nada um assunto interno do Paquistão", declarou à AFP o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Mohamad Sadiq.
"O presidente Pervez Musharraf considera que nossos aliados deveriam ser compreensivos com as condições e os graves desafios que enfrentamos com o extremismo e o terrorismo", acrescentou.
Musharraf, que decretou estado de exceção no sábado, citou como justificativas o aumento dos atentados e a interferência do poder judiciário nas perrogativas do governo para combater os extremistas islâmicos.
Processo eleitoral
Porém, oposição, analistas e a imprensa afirmam que o general Musharraf, que governa o Paquistão desde que aplicou um golpe de Estado há oito anos, tenta conservar o poder a qualquer custo.
A ameaça ao fim de seu poder vinha particularmente da Suprema Corte, que se pronunciaria nos próximos dias sobre a validade da reeleição do general em 6 de outubro, por votação indireta das assembléias nacional e provinciais.
Prisões
Ao menos 1.500 pessoas foram presas em três dias. A maioria é composta por políticos de oposição, advogados e juízes que criticam o governo de Musharraf desde o início do ano.
Porém, nesta terça-feira, em uma nova mostra do mal-estar que reina dentro do comando do Estado, o vice-ministro da Informação, Tariq Azeem, afirmou à AFP, que "ainda não foi tomada nenhuma decisão sobre o calendário eleitoral".
Mais de 100 pessoas foram detidas, em particular 50 advogados que se reuniam em Lahore, segundo a polícia.
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