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Noventa anos depois, os russos seguem divididos sobre a Revolução de 1917

06/11 - 17:26 - AFP

Noventa anos depois da Revolução bolchevique de 1917, os russos seguem divididos sobre seu balanço histórico e muitos até temem "um retorno à União Soviética".

No dia 7 de novembro de 1917, os bolcheviques tomaram o poder e fundaram, em 1922, a União Soviética, que só desapareceu em 1991.

De acordo com uma recente pesquisa do instituto FOM, 40% dos russos ainda consideram que as conseqüências da Revolução de 1917 foram "positivas" para o país, enquanto que 29% pensam o contrário.

O dia 7 de novembro, que foi um feriado nacional durante décadas, já não é mais tendo sido substituído, em 2005, pelo Dia da unidade do povo, celebrado em 4 de novembro.

Entretanto, muitos russos seguem comemorando o aniversário da Revolução de 1917.

"O dia 7 de novembro continua sendo uma grande festa para mim. A Revolução deu liberdade a nosso povo, e permitiu avanços sociais. Porém, o novo poder acabou com tudo isso. Os preços subiram, e perdemos a esperança no futuro", lamentou Galina Ivanova, uma aposentada de 75 anos.

"Não é uma festa. A Revolução privou os russos de sua religião, de sua cultura, de seu senso moral", considerou, por sua vez, o padre ortodoxo Serguei, 40 anos.

De acordo com um estudo recente do Centro Levada, 35% dos russos defendem a volta a um sistema político soviético, enquanto que 44% são opostos a tal idéia.

Além disso, um russo em cada quatro considera que o sistema político na Rússia de hoje "lembra cada vez mais o sistema soviético", segundo esta pesquisa.

Esta semelhança aparece cada vez mais à medida que se aproximam as legislativas de dezembro, constataram os meios de comunicação da oposição.

"No dia 2 de dezembro, a Rússia votará num futuro soviético, com um partido hegemônico, uma economia dirigida e um grande líder", escreveu recentemente o jornal de oposição Novaia Gazeta.

O partido pró-Kremlin Rússia Unida, apoiado por uma maioria de russos, parece querer tomar o lugar dos comunistas, que perderam sua influência no Parlamento, analisaram os opositores.

"Todas as forças do país - presidente, governadores e prefeitos - vão tentar instalar na Duma (Câmara baixa do Parlamento) uma equipe dócil que aprovará tudo o que será sugerido", comentou Guennadi Ziuganov, o chefe do Partido Comunista, cuja popularidade diminuiu muito nestes últimos anos.

No entanto, muitos russos ainda visitam o mausoléu da Praça Vermelha, onde repousa Vladimir Lenin, o "pai da Revolução".

"Lenin era um grande homem. Na época dele, os homens tinham ideais. Hoje, só o dinheiro é importante", lamentou Anton Diageterev, um operário de 18 anos.

"A presença de Lenin no coração de Moscou é simbólica", afirmou, por sua vez, um empresário russo de 44 anos, para quem o atual presidente, Vladimir Putin, continua aplicando uma política "soviética".

"Estamos observando um culto da personalidade de Putin. O Rússia Unida substituiu o PC", disse este empresário, que não quis se identificar. "O que aconteceu em 1917 não foi uma revolução, mas um golpe de Estado sangrento. Ainda estamos sentindo as conseqüências", finalizou.

vvl/yw/sd





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