05/11 - 13:05 - Agência Estado

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, sugeriu hoje o fim do mandato do presidente George W. Bush como data-limite para que israelenses e palestinos cheguem a um acordo de paz.
A determinação de uma data-limite é mais flexível do que a imposição de prazos formais. Os palestinos rejeitam a idéia de ingressar em negociações sem prazo para terminar depois de mais de uma década de tentativas frustradas. Já Israel rejeita a idéia de prazos. O primeiro-ministro Ehud Olmert, no entanto, disse ontem esperar "conquistas reais" ainda no atual mandato do presidente dos Estados Unidos, que vai até o início de 2009.
Numa entrevista coletiva concedida ao lado de Rice, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, disse ter recebido "sinais encorajadores" de Israel e dos EUA, numa aparente referência à data-limite. "Concordo com o primeiro-ministro Ehud Olmert quando ele diz que existe uma possibilidade real de se conseguir a paz. E eu digo que falamos sério quanto a aproveitar essa oportunidade de alcançar um acordo histórico de paz", declarou Abbas.
Saeb Erekat, um dos principais negociadores da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), observou que "todo mundo quer fazer o acordo durante o mandato de Bush". Segundo ele, os detalhes serão trabalhados durante a conferência sobre a paz no Oriente Médio, em novembro ou dezembro, no Estado americano de Maryland.
Otimismo
O otimismo de hoje contrastava com os comentários pessimistas de ontem, quando funcionários israelenses e palestinos disseram que os preparativos para a conferência estavam em risco. O último processo oficial de paz entre israelenses e palestinos saiu dos trilhos no início de 2001, quando o então presidente americano Bill Clinton recebeu o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak e o falecido líder palestino Yasser Arafat em Camp David.
Na entrevista coletiva conjunta de hoje, Rice disse estar "tremendamente impressionada com a seriedade" demonstrada pelos líderes israelenses e palestinos nos preparativos para a retomada das negociações de paz. "Estou muito confiante de que a vontade nos dois lados é acabar com esse conflito", declarou a chanceler americana.
Ela manifestou esperança de que um acordo de paz pudesse ser alcançado "no tempo que resta da administração Bush". Disse ainda que os países árabes estão "dando sinais muito claros" que desejam o sucesso da conferência, cuja data ainda não foi definida. Washington espera que mais de dez países árabes participem.
Garantias
Nabil Abu Rudeina, um importante assessor de Abbas, assegurou que o presidente palestino recebeu de Rice garantias de que todas as questões mais importantes envolvendo o conflito - como fronteiras definitivas, o status de Jerusalém e o destino dos refugiados palestinos - serão abordados depois da conferência.
Ainda segundo Rudeina, os EUA também prometeram que Israel cumpriria as obrigações de curto prazo estabelecidas como o primeiro de três estágios do antigo roteiro para a paz, formulado pelo chamado Quarteto de Madri (Estados Unidos, Rússia, União Européia e Nações Unidas). A iniciativa está paralisada há anos, umas vez que nem israelenses nem palestinos cumpriram os termos com os quais se comprometeram na ocasião.
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