Alejandro Varela Guatemala, 4 nov (EFE).- O baixo comparecimento dos eleitores às urnas caracteriza, a poucas horas do fechamento dos centros de votação, o segundo turno das eleições presidenciais na Guatemala, realizado hoje.
Tanto as autoridades guatemaltecas como os observadores nacionais e internacionais destacaram, dentro de um ambiente de normalidade, a falta de participação do eleitorado e convocaram a população a votar.
O porta-voz da missão de observação eleitoral nacional Mirador Electoral (Observador Eleitoral), Víctor Gálvez, considerou de "altamente preocupante" a pouca participação.
A Mirador, formada por diversas organizações civis independentes, esteve presente no pleito com quatro mil observadores espalhados pela Guatemala.
Quatro horas após a abertura dos centros eleitorais, "em muitos deles, nenhum eleitor apareceu", assegurou Gálvez.
Em seu primeiro relatório sobre o desenvolvimento da eleição, o chefe da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), o peruano Diego García-Sayán, quis lembrar e ressaltar a importância de os cidadãos darem seu voto.
García-Sayán explicou que, em algumas áreas rurais, a ausência de eleitores é notável.
No primeiro turno, realizado em 9 de setembro, o candidato social-democrata Álvaro Colom e o ex-general Otto Pérez Molina ficaram respectivamente com 25,62% e 21,35% dos votos.
Pérez Molina, candidato do Partido Patriota (PP), declarou no momento de seu voto na capital da Guatemala, estar confiante na vitória e assegurou que respeitará o resultado que for emitido pelo Tribunal Supremo Eleitoral guatemalteco (TSE).
O ex-militar de 56 anos disse que o dia de votação está transcorrendo normalmente, embora tenha denunciado uma tentativa de "compra de votos" por parte de seu oponente em algumas comunidades do oeste do país.
Colom, candidato da União Nacional da Esperança (UNE), que também votou na capital, assegurou que ganhará estas eleições com uma vantagem de entre 3% e 7% sobre seu rival.
"Vamos ganhar hoje", insistiu Colom, um engenheiro industrial de 56 anos, destacando a baixa participação do eleitorado.
As três últimas eleições presidenciais na Guatemala tiveram a realização de um segundo turno, sempre com participação de menos de 50% do eleitorado.
Os analistas e observadores consultados pela Agência Efe concordaram em prever uma participação inferior a 40% dos eleitores nas eleições deste domingo.
No primeiro turno, 61% do eleitorado participou das votações.
Dos 13 milhões de habitantes do país, cerca de 5,9 milhões estão convocados a votar neste segundo turno.
Os centros de votação abriram suas portas às 7h e serão fechados às 18h, horários locais de domingo (11h e 22h, respectivamente, horários de Brasília).
O TSE deve oferecer os primeiros resultados oficiais por volta das 22h locais (2h, horário de Brasília da segunda-feira).
As últimas pesquisas apontam resultados muito parecidos para os dois candidatos, com uma pequena vantagem para Pérez Molina que não supera a margem de erro.
Tanto a missão de observadores da OEA como a da União Européia (UE) expressaram sua preocupação diante da possibilidade de que o provável "resultado apertado" dê origem a um conflito político caso o perdedor não reconheça sua derrota.
Todos os observadores internacionais consultados pela Efe concordaram em expressar seu temor de que os fiscais de cada candidato nos centros de votação se dediquem a realizar uma impugnação em massa de votos e realizar todo tipo de denúncias sobre supostas irregularidades.
Os votos impugnados também são computados, mas, assim como as denúncias, possibilitam ao candidato recorrer e reverter o resultado das eleições caso este não o favoreça.
Esta é a primeira vez que Pérez Molina se candidata à presidência, mas é a terceira tentativa consecutiva de Colom. EFE av bba/ma