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Governo volta a cortar serviço de internet para exterior em Mianmá

01/11 - 10:20, atualizada às 10:33 01/11 - EFE

A Junta Militar de Mianmá, a antiga Birmânia, voltou nesta quinta-feira a cortar o serviço de internet em Yangun, a principal cidade do país, no dia seguinte às manifestações retomadas por monges budistas.


Um residente em Yangun declarou à rádio "Mizzima" que "o serviço para o exterior está cortado desde a manhã de hoje", e lembrou que as autoridades aplicaram a mesma medida dia 29 de setembro para impedir que se informasse para outros países a brutal repressão contra as manifestações pacíficas dos monges.

Não há informação sobre novas manifestações hoje em Mianmá, como continuação do protesto da véspera em Pakokku, a 550 quilômetros de Yangun.

Graças ao serviço de internet, a imprensa internacional conseguiu fotos e vídeos dos tiros, golpes e maus tratos que os soldados e a tropa de choque usaram para reprimir o protesto em setembro.

Uma dessas gravações mostrou a morte de um repórter japonês baleado por um soldado, e uma foto mostrou o cadáver de um monge flutuando em um canal de Yangun.

As autoridades reconheceram dez mortos nas manifestações. Ainda segundo o governo, quase 3.000 foram detidas, a grande maioria liberada nas semanas seguintes. Mas a dissidência acha que houve pelo menos 200 mortes e mais de 6.000 detenções.

A Junta Militar, que já tinha cortado também as ligações de celulares para o exterior, controla os dois únicos provedores de internet do país: Mianmar Posts and Telecom (MPT) e BaganNet/Mianmar Teleport (antigamente Bagan Cybertech).

Daqui a dois dias, o enviado especial da ONU para Mianmar, Ibrahim Gambari, voltará ao país para mediar as conversações entre a Junta Militar e a oposição liderada por Aung San Suu Kyi, Nobel da Paz.

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