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Monges de Mianmá retomam protestos e dizem não temer tortura

31/10 - 08:47 - Reuters

YANGUN (Reuters) - Monges budistas de Mianmá realizaram na quarta-feira sua primeira passeata de protesto desde que os militares reprimiram as manifestações pró-democracia, há um mês, e no momento em que o enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) ao país, Ibrahim Gambari, se prepara para uma nova visita à antiga Birmânia.

Um diplomata asiático em Yangun disse que Gambari, que fez sua primeira visita logo após a onda de repressão militar, vai chegar no sábado, novamente para tentar convencer a junta militar a dialogar com a líder oposicionista Aung San Suu Kyi, que está sob prisão domiciliar.

A nova passeata dos monges ocorreu na cidade de Pakokku, 600 quilômetros a noroeste de Yangun, indicando que a repressão conseguiu apenas coibir a rebelião, mas sem erradicá-la.

A cidade está sob tensão desde que soldados dispararam por sobre as cabeças dos monges, no final de setembro, transformando pequenos protestos pontuais contra o aumento dos combustíveis na maior rebelião popular contra o regime militar em duas décadas.

Uma testemunha disse à Reuters que cerca de 200 monges com vestes marrons entoavam orações ao caminharem, alinhados em trios, pelo centro da cidade.

A Voz Democrática da Birmânia, rádio dissidente que funciona na Noruega, disse que os monges mantêm suas exigências de redução do preço dos combustíveis, reconciliação nacional e libertação de todos os presos políticos, inclusive Suu Kyi.

'Não temos medo de sermos presos ou torturados', disse um monge. Não houve relatos de tumultos.

Um morador, que pediu anonimato por temer represálias, afirmou que os monges escolheram deliberadamente um trajeto que evitaria manifestações convocadas pelo regime.

A imprensa oficial diz que 10 pessoas morreram na repressão às manifestações de setembro, embora governos ocidentais suspeitem que o saldo seja muito maior. Entre as vítimas fatais está um cinegrafista japonês que cobria as passeatas.

Gambari já esteve em seis países asiáticos para pressioná-los - especialmente Índia e China - a adotar uma postura mais rígida contra o regime birmanês, um dos mais isolados do mundo.

Na visita que fez no começo de outubro, Gambari, ex-chanceler nigeriano, teve uma audiência com o chefe da Junta, general Than Shwe, e duas com Suu Kyi.

'Achamos que ele vai estar mais ocupado nesta visita do que na anterior', disse o diplomata asiático.

Após a primeira visita de Gambari, a junta nomeou o general da reserva Aung Kyi para servir como intermediário entre Suu Lyi e Than Shwe, que sabidamente odeia a Nobel da Paz, de 62 anos, que passou sob prisão 12 dos últimos 18 anos.

Aung Kyi se reuniu por 75 minutos na semana passada com Suu Kyi, mas não se sabe o teor da conversa.

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