31/10 - 13:59 - AFP

A Junta Militar birmanesa recruta crianças para servir em seu exército, comprando e pegando à força das famílias crianças com dez anos de idade, denunciou a organização Human Rights Watch em um informe divulgado nesta quarta-feira.
A junta, que enfrenta importantes índices de deserção e falta de voluntários, permite que os recrutadores comprem e revendam meninos para alimentar seu exército, explicou a organização de defesa dos direitos humanos.
"Os generais do governo toleram o recrutamento ostensivo e não castigam quem o fazem", afirmou Jo Becker, encarregada da defesa dos direitos das crianças do Human Rights Watch.
Os recrutadores, desesperados por cumprir com as cotas impostas por seus superiores, recorrem aos meninos que encontram nas estações de trem e ônibus, mercados e outros lugares públicos. Eles ameaçam as crianças que se negam ao alistamento.
A organização afrma que há milhares de crianças alistadas assim no Exército, como também em grupos armados, apesar de em menor medida.
"Eles preencheram os formulários e perguntaram minha idade. Quando disse que tinha 16 anos, me deram um tapa e disseram: 'você tem 18, responde 18'", contou Maung Zaw Oo ao Human Rights Watch, recordando a segunda vez que foi obrigado a se alistar.
Outro menino contou que foi obrigado a se alistar aos 11 anos, apesar de medir apenas 1,3 metro de altura e pesar menos de 31 kg.
O recente movimento de protestos populares em Mianmar, reprimido violentamente pelo Exército, pode deixar as crianças ainda mais vulnerávéis, já que o Exército pode achar mais difícil encontrar voluntário, avaliou a HRW.
Entenda o que acontece em Mianmá
Os protestos pacíficos começaram em agosto por causa dos aumentos absurdos no preço do combustível e se tornaram realmente ameaçadores para a Junta Militar quando os reverenciados monges budistas se uniram. A crescente multidão ganhou voz para expressar descontentamentos e o governo reagiu violentamente.
No dia 26 de setembro, a Junta Militar deu início a uma violenta repressão em que pelo menos 16 pessoas morreram, entre elas dois estrangeiros, de acordo com dados oficiais. O número pode ser muito maior uma vez que há diversos relatos não oficiais que apontam mais de 200 mortes.
Mianmá é governada por generais há 45 anos e não tem eleições democráticas desde 1990, quando o partido oficial perdeu para a LND, que obteve 82% dos votos, mas o governo nunca aceitou o resultado.
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