30/10 - 14:28 - EFE

ANCARA - O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, ressaltou, nesta terça-feira, que o Exército continuará sem parar a ofensiva contra os rebeldes do grupo terrorista Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que já deixou cerca de 20 mortos dos dois lados nas últimas 24 horas.
As emissoras turcas informaram hoje que as forças armadas estão conduzindo operações nas regiões de Tunceli, Bingöl, Bitlis e Sirnak, onde os militares lutam contra os rebeldes em 12 pontos diferentes.
Helicópteros turcos bombardearam as montanhas ao longo da fronteira turco-iraquiana para combater os militantes do PKK.
Segundo a televisão "CNN Türk", a operação se intensificou durante a madrugada nas montanhas da província de Sirnak.
O jornal "Sabah" diz que 5 mil soldados turcos perseguiam 100 separatistas curdos no Monte Cudi e que outros 5 mil militares faziam o mesmo com outro grupo de 40 guerrilheiros na montanha de Kato.
O número de soldados mortos nestas ações chegou a quatro, após um militar ter morrido depois de pisar em uma mina na segunda-feira. Ao mesmo tempo, o Exército afirma que matou pelo menos 17 rebeldes nos últimos confrontos.
O "Sabah" destacou hoje que o Exército turco afirma ter matado 502 membros do PKK nos últimos dez meses.
Além disso, hoje continuava o cerco a 100 guerrilheiros nas montanhas de Ikiyaka, no sudeste. A operação conta com o apoio de artilharia e de helicópteros militares.
Enquanto os soldados lutam na fronteira, o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, reiterou hoje a parlamentares do governista Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP, islamita moderado) que "as operações militares continuarão sem pausa".
A intervenção "é realizada sob a lei. Há necessidade de intensificar as operações militares contra o PKK", disse Erdogan.
Ele declarou que em sua próxima reunião com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reiterará que a paciência da Turquia está esgotada por causa dos redutos que o PKK mantém no norte do Iraque.
O primeiro-ministro turco reiterou que a Turquia "não vai pedir permissão" a nenhum país e acrescentou em tom de desafio que "cortará o cordão umbilical (do terrorismo) por si mesmo". As palavras parecem responder ao pedido dos EUA e do Iraque de não lançar uma operação militar além de sua fronteira.
Ele viajará para Washington em 5 de novembro e deve se reunir com Bush na Casa Branca no dia seguinte.
Já em 2 de novembro a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, deve ir à Turquia para participar de uma conferência regional em Istambul.
"Entregarei informação e documentos sobre os países que estão acolhendo o PKK e sobre o dinheiro do tráfico de drogas que (o PKK) gasta", disse Erdogan, que acrescentou que pedirá "explicações sobre por que armas americanas foram encontradas nas mãos de rebeldes do PKK".
Desde a emboscada feita pelo grupo rebelde há dez dias no sudeste da Turquia, na qual 12 soldados morreram, milhares de turcos fizeram manifestações em todo o país contra os integrantes do partido.
Intelectuais, artistas e autoridades expressaram preocupação com o crescente número de ataques contra civis curdos.
"Devemos rejeitar todo tipo de provocações, devemos agir como uma grande nação", disse hoje Erdogan.
"Quando o mundo inteiro está nos observando, devemos manter a calma. Devemos nos apoiar e compartilhar a dor. Mas as reações na rua não devem atravessar certas fronteiras", acrescentou.
Amanhã o gabinete turco se reunirá para discutir as medidas políticas e econômicas a serem adotadas no norte do Iraque para apoiar as operações militares.
Hayati Yazici, vice-primeiro-ministro turco encarregado de Assuntos Econômicos, anunciou que foi dado início aos preparativos para abrir uma nova passagem fronteiriça com a Síria, para que os turcos consigam chegar a Bagdá sem passar pelo território autônomo curdo do norte do Iraque.
No entanto, muitos caminhoneiros turcos já anunciaram que não pensam em usar esta passagem fronteiriça, já que consideram que passar depois pelos territórios árabes do Iraque é um risco muito alto.
Os curdos formam um grupo étnico que vive no Oriente Médio espalhados pelo norte do Iraque, sudeste da Turquia e partes da Síria e do Irã. Falam a mesma língua e têm a mesma religião e costumes culturais. Apesar dessa região ser comumente chamada de Curdistão, o Estado independente curdo não existe. O tamanho dessa população é incerto, mas estima-se que esteja entre 27 e 36 milhões de pessoas.
Os curdos que vivem na Turquia tentaram sua independência com o fim do império Otomano, após o fim da Primeira Guerra Mundial, mas fracassaram. Durante todo o século 20, revoltas curdas foram esmagadas na Turquia e no Iraque, principalmente sob o domínio de Saddam Hussein.
Criado em 1978, o PKK lançou em 1984 sua luta armada pela criação de um Estado curdo independente e intensificou suas operações depois de pôr fim, em
Nação sem Estado
Os curdos formam um grupo étnico que vive no Oriente Médio espalhados pelo norte do Iraque, sudeste da Turquia e partes da Síria e do Irã. Falam a mesma língua e têm a mesma religião e costumes culturais. Apesar dessa região ser comumente chamada de Curdistão, o Estado independente curdo não existe. O tamanho dessa população é incerto, mas estima-se que esteja entre 27 e 36 milhões de pessoas.
Os curdos que vivem na Turquia tentaram sua independência com o fim do império Otomano, após o fim da Primeira Guerra Mundial, mas fracassaram. Durante todo o século 20, revoltas curdas foram esmagadas na Turquia e no Iraque, principalmente sob o domínio de Saddam Hussein.
Criado em 1978, o PKK lançou em 1984 sua luta armada pela criação de um Estado curdo independente e intensificou suas operações depois de pôr fim, em 2006, a uma trégua unilateral. Segundo um balanço oficial, o conflito provocou mais de 37 mil mortos.
(*Com informações das agências Efe e AFP)
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