26/10 - 10:24 - AFP

O presidente russo, Vladimir Putin, lançou uma nova advertência aos europeus sobre a crise acerca do programa nuclear do Irã e as ambições separatistas de Kosovo nesta sexta-feira, antes do início de uma reunião de cúpula com a União Européia (UE) em Portugal.
A UE esperava minimizar as diferenças de postura entre os países durante a cúpula, mas o presidente russo, já em sua chegada, ressaltou as diferenças que persistem em torno das questões de Irã e Kosovo, província sérvia de maioria albanesa.
"Por que forçar os princípios das leis internacionais fomentando o separatismo na Europa?", perguntou Putin, referindo-se a Kosovo, depois de se reunir nesta quinta-feira em Lisboa com o presidente de Portugal, Anibal Cavaco Silva.
Ao comentar as novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã, Putin disse: "Por que agravar a situação, ameaçando com sanções ou até uma intervenção militar?".
O Ocidente suspeita que o Irã pretende se dotar com uma arma atômica, apesar de Teerã reiterar que seu programa nuclear é puramente civil.
A Rússia está contribuindo para a construção de um reator no Irã e se opõe à iniciativa das potências ocidentais, que querem impor mais sanções contra a República Islâmica na ONU. Além disso, Putin se opõe a uma independência de Kosovo sob supervisão internacional, apoiado pelos Estados Unidos e pela União Européia.
A cúpula entre a Rússia e a UE, dez anos depois de Bruxelas e Moscou terem assinado o acordo, será realizada na antiga residência da realeza portuguesa em Mafra, a 40 km de Lisboa.
O primeiro-ministro português, José Sócrates, cujo país exerce a presidência rotativa da UE, o chefe da diplomacia européia, Javier Solana, e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, participarão das conversas.
As negociações formais entre a UE e a Rússia para chegar a um novo acordo se viram bloqueadas pelo veto da Polônia, imposto depois da Rússia ter proibido a importação de carne polonesa em 2005.
Mas a vitória nas eleições legislativas polonesas de um partido liberal pró-europeu, que tem a intenção de melhorar as relações com Moscou, traz esperanças para a solução da questão.
"Diremos aos russos que é muito importante liberalizar os mercados no setor de energia. Queremos uma maior reciprocidade, mais transparência, mais abertura", disse na sexta-feira a comissária européia para as Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner.
A Rússia acusa a União Européia de bloquear o acesso do gigante energético russo Gazprom ao seu mercado. Enquanto isso, Bruxelas defende que Moscou deve liberalizar seu mercado de gás.
A Rússia garante 25% das provisões da UE em gás e petróleo.
As trocas comerciais entre a União Européia e a Rússia foram multiplicadas por 3,5 nos últimos sete anos e já alcança os 300 bilhões de dólares anuais, afirmou Anatoly Chubais, presidente do monopólio elétrico russo UES numa conferência realizada na quinta-feira em Lisboa.
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