25/10 - 14:43 - AFP

Israel aprovou, nesta quinta-feira, uma série de sanções contra a Faixa de Gaza em represálias aos disparos de foguetes e entre essas medidas estão cortes de energia e redução das entregas de combustível para este território palestino dirigido pelos islâmicos radicais do Hamas.
As sanções foram decididas na véspera de uma nova reunião entre os dirigentes israelense, Ehud Olmert, e palestino, Mahmud Abbas. Elas provavelmente provocarão um aumento das tensões entre as duas partes, que culpam uma à outra pela ausência de progressos na resolução do conflito, enquanto se aproxima uma importante conferência internacional sobre o tema.
"O ministro da Defesa, Ehud Barak, aprovou nesta quinta-feira as recomendações dos responsáveis da Defesa sobre cortes periódicos de energia e limitações nas entregas de combustível, devido à persistência dos disparos de foguetes" contra o sul de Israel, anunciou um porta-voz do ministério.
O porta-voz destacou que as medidas, as primeiras do gênero desde o início da Intifada, em setembro de 2000, não precisavam de uma aprovação suplementar do governo para ser aplicadas. Ele não especificou quando as primeiras entrarão em vigor.
Em setembro, Israel abriu o caminho para sanções contra a população ao decretar Gaza "entidade hostil". Esta decisão foi uma retaliação à tomada de poder, em junho, deste território pelo Hamas, um movimento que não reconhece a existência de Israel.
O Hamas denunciou imediatamente "um novo crime contra um milhão e meio de palestinos" e "uma punição coletiva" contrária ao direito internacional.
Israel explicou que as novas medidas tinham como objetivo pressionar a população de Gaza para que ela incentive os grupos armados a interromper seus disparos de foguetes, que o exército israelense não consegue impedir.
Os cortes de energia serão - a princípio - temporários e proporcionais à intensidade dos disparos.
Desde a tomada de controle da Faixa de Gaza pelos islâmicos, há quatro meses, "cerca de 1.000 foguetes e obuses de morteiro" foram atirados contra Israel, deixando dezenas de feridos, segundo o exército.
É neste contexto que o presidente Abbas se referiu a "encontros" entre o Hamas e israelenses, qualificando a informação de "quase certa" durante uma visita na Jordânia. No entanto, tanto o governo de Israel como o Hamas desmentiram categoricamente a informação.
As sanções israelenses foram anunciadas na véspera de uma nova reunião em Jerusalém entre Olmert e Abbas, a segunda desde o início deste mês.
Os dois dirigentes vão tentar fazer avançar as negociações sobre uma resolução do conflito antes de uma conferência internacional prevista para o fim de 2007 perto de Washington.
Equipes de negociadores se reuniram novamente quarta-feira, em vão, para tentar elaborar um documento conjunto sobre as bases de uma resolução do conflito israelense-palestino.
Este documento deve tratar dos temas sensíveis das fronteiras do futuro Estado palestino, dos refugiados palestinos, das colônias judaicas e do estatuto de Jerusalém.
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