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Estudantes venezuelanos enfrentam a polícia em protesto contra reforma constitucional

23/10 - 16:21, atualizada às 20:59 23/10 - Redação com AFP

Centenas de estudantes venezuelanos enfrentaram a polícia, nesta terça-feira, em Caracas e foram recebidos com gases lacrimogêneos, na tentativa de impedi-los de chegar ao Congresso e solicitar um adiamento da consulta popular sobre o polêmico projeto da reforma constitucional apresentado pelo presidente Hugo Chávez e que deve acontecer no começo de dezembro.

Várias barreiras formadas por centenas de guardas nacionais (militares) e a polícia antichoque foram enviadas para os arredores da sede do poder Legislativo, que teve o acesso restringido.

Os manifestantes cantavam o hino nacional e um caminhão com a placa "NÃO" liderava o protesto; uma comissão se dispunha a entregar um documento ao congresso.

Na sede da Assembléia Nacional, dezenas de seguidores do presidente Hugo Chávez, vestindo as camisas vermelhas da situação, ocuparam posições nas instalações que foram fechadas, constatou um jornalista da AFP.

Várias brigas foram registradas em diferentes pontos.

Os manifestantes lançaram garrafas e objetos contra os policiais, que tentavam impedir o acesso ao Palácio Legislativo, enquanto os estudantes nas ruas já chegavam aos milhares.

Esta é a primeira manifestação de rua contra a reforma que visa  estabelecer um Estado "socialista" na Venezuela.

Ampliação de poderes

O Congresso da Venezuela aprovou, na noite de segunda-feira, um aumento das atribuições do presidente na reforma constitucional em curso, em meio aos mais recentes debates sobre a restrição de direitos durante estados de exceção.

O plenário do Congresso (unicameral) realiza nesta semana a terceira e última discussão do projeto de 33 artigos apresentado em agosto pelo presidente Hugo Chávez. (Além das mudanças propostas por Chávez, o Congresso aumentou para 68 o número de artigos modificados, dos 350 presentes na atual Constituição, aprovada em 1999).

O Congresso se propõe a sancionar ainda nesta semana a reforma, para então submeter o novo texto constitucional a referendo no dia 2 de dezembro.

Entre as novas atribuições presidenciais está "criar ou suprimir províncias federais, territórios federais, cidades, distritos funcionais, municípios federais, regiões marítimas, regiões estratégicas, distritos insulares e cidades comunais", além de "designar e remover suas autoridades".

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