23/10 - 14:31, atualizada às 19:16 23/10 - EFE

BUENOS AIRES - A inflação e a insegurança relegaram a política externa a segundo plano na campanha eleitoral da Argentina, com exceção das críticas feitas pela oposição às fortes ligações do governo argentino com a Venezuela de Hugo Chávez.
Analistas acreditam que não haverá grandes mudanças na política externa argentina se a atual primeira-dama, Cristina Fernández de Kirchner, vencer nas eleições de domingo, conforme indicado pelas pesquisas de intenção de voto.
O futuro governo argentino herdará o conflito com o Uruguai pela instalação de uma fábrica de celulose da finlandesa Botnia em território uruguaio, assunto que também acentua as diferenças entre a plataforma de Cristina e a da oposição.
Ninguém duvida que o vencedor das eleições dará maior importância às relações externas, por causa da necessidade de a Argentina recompor sua imagem seis anos depois de uma crise que levou o país a maior moratória da história e à ruptura dos contratos de privatizações assinados na última década.
Apesar das ligações com Chávez, o governo de Néstor Kirchner manteve um bom relacionamento com os Estados Unidos, com uma agenda sem muitos pontos conflituosos e longe das "relações carnais" que marcaram a gestão de Carlos Menem (1989-1999), dizem os analistas.
"Há tempos" que as relações com o Brasil são uma política de Estado inalterável da Argentina, que superam as divergências entre as duas nações, comentou Ignacio Labaqui, pró-Bush, "e contra Chávez".
Em recente entrevista concedida à Efe, Carrió disse que deseja "recompor as relações com os irmãos uruguaios".
Roberto Lavagna, ex-ministro da Economia de Kirchner, tem a mesma posição em relação à questão uruguaia. Para ele, levar a disputa ao tribunal de Haia foi uma manobra do governo para "ocultar" seus erros em suas relações com o Uruguai.
Leia mais sobre: eleições na Argentina
Publicidade
Pacto social e controle da inflação são principais temas da disputa argentina