22/10 - 09:48 - AFP

O número um chinês Hu Jintao consolidou seu poder ao fim do congresso do Partido Comunista Chinês, mas seu novo mandato deve ser marcado por uma intensificação das lutas políticas com a instabilidade social como pano de fundo.
"Hu Jintao reforçou seu poder ao ganhar em dois lados", afirma Cheng Li, especialista em política chinesa do Instituto Brookings de Washington.
"Fez entrar na constituição sua política, a ideologia da sociedade harmoniosa e do desenvolvimento racional. E conseguiu a entrada de seus partidários no comitê central, muitos deles vindos da Liga das Juventudes Comunistas", acrescenta.
Para Ralph Cossa, diretor do Fórum do Pacífico do Havaí, "os próximos cinco anos constituem a oportunidade para Hu deixar sua marca".
"Dispõe de pessoas, da base institucional, agora deve demonstrar do que é capaz", afirma.
"Transformará a economia? Introduzirá mais pluralismo na sociedade? Haverá uma maior seleção na base dos dirigentes do partido?", questiona Cossa.
Para alguns analistas, o número um do regime comunista chinês deve prosseguir com a gestão prudente no campo político e consensual com as diferentes facções do partido.
"Hu é um guardião prudente e hábil dos interesses da 'nova classe' de burocratas-empresários que dirige o país e que tem a firme intenção de impedir a qualquer preço que o povo interfira nos assuntos políticos", considera Michel Bonnin, outro sinólogo.
"Quando muito, podemos esperar que dê um pouco mais de realidade às ordens que o partido fez aprovar (...) ou seja que se esforce para limitar as crescentes desigualdades sociais que ameaçam a estabilidade do regime, assim como o desenvolvimento quantitativo desenfreado que põe em perigo o meio ambiente na China e, em segundo termo, o do mundo", explica.
Segundo Willy Lam, um especialista em China de Hong Kong, "Hu é um homem com muita pressa, porque só lhe restam cinco anos".
"Seu discurso no congresso mostrou que ainda resta muito trabalho por fazer, mas tem que enfrentar a resistência dos 'reizinhos' e empresários locais", considera Lam.
A questão da sucessão pode constituir um problema.
Dois possíveis herdeiros chegaram nesta segunda-feira ao grupo que realmente governa o país: Xi Jinping, líder do partido em Xangai, e Li Keqiang, atual governador da província industrial de Liaoning.
O primeiro pertence à facção dos "filhos de príncipes", os privilegiados do regime descendentes dos primeiros revolucionários. O segundo à Liga da Juventude Comunista, a base de poder do atual presidente.
"Hu Jintao tentará certamente apoiar-se no segundo, já que ele é um ex-membro da Liga", opina Bonin.
"Porém, está claro que não tem o poder de afogar o outro lado, apoiada por poderosos grupos de interesses. Será interessante observar a eventual rivalidade entre estas duas categorias e especialmente a que poderia surgir entre Li e Xi", concluiu.
frb/fp
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