22/10 - 13:19, atualizada às 18:10 22/10 - AFP

Os rebeldes curdos em luta contra Ancara decidiram anunciar um cessar-fogo, nesta segunda-feira, confirmou o presidente iraquiano Jalal Talabani em Suleimaniyeh, no norte do Iraque.
Talabani não deu maiores detalhes sobre as condições deste anúncio pelo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que tem sua base na parte iraquiana do Curdistão, região que a Turquia ameaça atacar.
"O PKK decidiu declarar um cessar-fogo unilateral esta noite", declarou à imprensa o presidente iraquiano no aeroporto de Suleimanieyh, antes de voltar a Bagdá.
Um porta-voz do PKK, Abdul Rahman Chadirchi, afirmou à AFP que uma declaração sobre o assunto seria divulgada ainda nesta noite, mas o responsável não deu maiores informações sobre a natureza desta declaração.
Este anúncio do presidente Talabani, de origem curda, acontece depois que o governo iraquiano afirmou que não enviaria tropas à fronteira com a Turquia. Garantiu, contudo, que tomou medidas necessárias para isolar os rebeldes curdos nesta região.
Os ministros do gabinete de Nuri al-Maliki se reuniram nesta segunda-feira no parlamento no momento em que a Turquia vem ameaçando, depois de muitos dias, intervir no Curdistão iraquiano para eliminar as bases do PKK.
O ministro iraquiano da Defesa, Abdel Kader al-Obeidi afirmou que o exército iraquiano não iria enviar tropas para esta região, que está sob controle dos combatentes do governo regional curdo.
"O governo iraquiano não tem a intenção de deslocar suas tropas para esta região, em detrimento da segurança do centro e do sul", declarou o ministro diante dos deputados.
"A Força Multinacional é responsável por garantir a segurança do Iraque", acrescentou ele, em referência às tropas estrangeiras, majoritariamente americanas, que estão no Iraque desde março de 2003.
Por outro lado, o ministro da segurança nacional, Shirwin al-Waili, garantiu que o governo iraquiano "tomou as medidas para cortar o abastecimento dos rebeldes". Mas ele não deu maiores precisões acerca de tais medidas.
O governo iraquiano também anunciou que o ministro turco das Relações Exteriores, Ali Babacan, era esperado nesta terça-feira em Bagdá, mas esta visita não foi confirmada por Ancara.
O ministro das Relações Exteriores, Hoshyar Zebari, acrescentou que uma delegação iraquiana deveria ir em breve para a Turquia para continuar o diálogo.
A reunião do Parlamento aconteceu no dia seguinte a uma emboscada realizada pelos rebeldes curdos no sul da Turquia, perto da fronteira com o Iraque, que provocou 12 mortos no exército. Oito militares foram feitos prisioneiros pelos rebeldes.
O ataque do PKK, partido considerado como uma organização terrorista por Turquia, União Européia e Estados Unidos, aconteceu apenas quatro dias depois do sinal verde do Parlamento turco autorizando as incursões militares no Iraque.
Apesar dos apelos de Washington e da comunidade internacional por uma não realização de tais incursões, o primeiro-ministro turco Recep Erdogan, acusado de debilidade pela opinião pública, afirmou estar pronto para recorrer à força.
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