Washington, 22 out (EFE).- A atividade econômica libera hoje na atmosfera mais dióxido de carbono do que nunca, e os processos naturais que deveriam frear a acumulação do gás se enfraquecem cada vez mais, segundo um estudo publicado hoje.
"Combinados, esses efeitos caracterizam um ciclo do carbono que está gerando mudanças climáticas muito mais rápidas do que se esperava", afirmou um artigo publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences" ("PNAS").
Cientistas da Austrália, Reino Unido, França, Áustria e Estados Unidos calcularam que, entre 2000 e 2006, as atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis, a fabricação de cimento e o desmatamento tropical enviaram à atmosfera em média 4,1 bilhões de toneladas de carbono por ano. A taxa anual de crescimento do dióxido de carbono atmosférico é de 1,93 parte por milhão (ppm).
A atividade econômica humana acrescentou 1,5 bilhão de toneladas anuais aos oceanos e 2,8 bilhões de toneladas à terra. É o aumento mais rápido desde que começou a observação contínua, em 1959, segundo o relatório.
A taxa de crescimento do dióxido de carbono atmosférico é muito maior que nos anos 1980, quando foi de 1,58 ppm, e nos anos 1990, em que havia se reduzido para 1,49 ppm por ano.
A concentração atual de dióxido de carbono na atmosfera é de 381 ppm, a maior nos últimos 650 mil anos. Provavelmente, é a maior dos últimos 20 milhões de anos, segundo os cientistas.
A aceleração das emissões de dióxido de carbono já tinha sido detectada anteriormente. Mas a análise atual proporciona algumas explicações sobre suas causas.
"A novidade é a demonstração de que o enfraquecimento ambiental de regiões terrestres e marítimas contribui para a aceleração do crescimento do dióxido de carbono atmosférico", disse Chris Field, um dos autores do trabalho e diretor do Departamento de Ecologia Global no Instituto Carnegie, na Califórnia (EUA).
As mudanças nos ventos sobre as regiões oceânicas do sul do planeta, que resultam do aquecimento global, trouxeram à superfície água rica em carbono. A conseqüência foi a redução na capacidade dos oceanos de absorver o excesso de dióxido de carbono presente na atmosfera.
Na terra, onde o crescimento das plantas é o mecanismo mais adequado para extrair o dióxido de carbono da atmosfera, as prolongadas secas vêm reduzindo a absorção de carbono.
As emissões da queima de combustíveis fósseis constituem a maior fonte de carbono gerado pelos humanos, com uma média anual de 7,6 bilhões de toneladas entre 2000 e 2006. A média era de 6,5 bilhões de toneladas na década de 1990. EFE jab mf