19/10 - 19:05 - Redação com agências internacionais
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou-se disposto nesta sexta-feira a organizar uma operação militar conjunta com o exército iraquiano contra as bases dos rebeldes separatistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), instaladas no norte do Iraque.
Em entrevista ao Kanal 24, de TV, Erdogan lembrou que seu colega iraquiano, Nuri al-Maliki, conversou com ele por telefone para propor negociações sobre o tema, pouco antes da aprovação pelo Parlamento turco de uma resolução autorizando uma eventual operação militar no Iraque.
"Maliki disse o seguinte: se essas negociações não levarem a lugar nenhum, conduziremos a operação juntos", revelou Erdogan.
O premier turco conclamou o governo iraquiano a fechar "de uma vez por todas" os campos do PKK no norte do Iraque, e pediu que os líderes rebeldes sejam entregues a seu país.
Erdogan qualificou de "positiva" a declaração do governo iraquiano de que seu objetivo é eliminar a presença o PKK no Curdistão iraquiano. Entretanto, Bagdá tem pouca influência naquela região.
As autoridades autônomas do Curdistão iraquiano avisaram nesta sexta-feira que se defenderão contra qualquer ataque turco em seu território.
Ancara sustenta que cerca de 3.500 combatentes do PKK estão refugiados na região, que utilizam como base para se infiltrar na Turquia e cometer ataque. Além disso, as autoridades turcas acusam os curdos iraquianos de apoiar os rebeldes.
Considerado uma organização terrorista pela Turquia, pelos Estados Unidos, pela União Européia, o PKK iniciou em 1984 uma luta armada por sua independência que já deixou mais de 37.000 mortos.
Sinal verde para ataque
Nesta semana, o parlamento turco deu seu aval a um pedido do governo para permitir que tropas do país cruzem a fronteira com o Iraque para combater rebeldes curdos sediados na região.
Acredita-se que cerca de 3.000 rebeldes curdos, incluindo muitos de seus líderes, estejam se escondendo no norte do Iraque, de onde lançam ataques contra alvos de segurança turcos.
Oposição dos EUA e Iraque
Bagdá e Washington tentaram dissuadir Ancara de realizar uma ação militar no norte do Iraque.
O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, declarou-se disposto a combater os separatistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), já que realizam ataques na Turquia a partir de bases mantidas no norte do Iraque.
A reação da presidência curda, a primeira desde o início da crise, veio depois que o secretário americano da Defesa, Robert Gates, deu a entender nesta quinta-feira que as forças americanas e iraquianas estariam dispostas a atuar contra os rebeldes do PKK.
"Acredito que se tivéssemos informações precisas, ficaríamos dispostos a fazer o que fosse necessário. Se tivéssemos informações sobre os rebeldes curdos na Turquia, as transmitiríamos", disse Gates.
Via diplomática
Na quinta-feira, o governo do Curdistão pediu à Turquia para negociar diretamente a questão do PKK, enquanto milhares de manifestantes denunciavam em Erbil, a capital do Curdistão, os planos de intervenção de Ancara.
A Turquia afirma que sua única opção é a ação militar contra o PKK porque nem Washington nem Bagdá estão ajudando a combater os rebeldes.
O ministro da Defesa turco, Vecdi Gonul, informou na véspera que se reunirá, no domingo, com Gates para analisar as questões que vêm gerando um clima de tensão entre seus países, segundo a agência de notícias Anatólia.
A reunião será realizada paralelamente a uma cúpula internacional em Kiev.
Será abordada a intenção de Ancara de enviar tropas ao norte do Iraque para expulsar os rebeldes curdos entrincheirados nessa zona e também a possível votação no Congresso americano de uma resolução que reconhece a existência de genocídio armênio na Turquia.
Nação sem Estado
Os curdos formam um grupo étnico que vive no Oriente Médio espalhados pelo norte do Iraque, sudeste da Turquia e partes da Síria e do Irã. Falam a mesma língua e têm a mesma religião e costumes culturais. Apesar dessa região ser comumente chamada de Curdistão, o Estado independente curdo não existe. O tamanho dessa população é incerto, mas estima-se que esteja entre 27 e 36 milhões de pessoas.
Os curdos que vivem na Turquia tentaram sua independência com o fim do império Otomano, após o fim da Primeira Guerra Mundial, mas fracassaram. Durante todo o século 20, revoltas curdas foram esmagadas na Turquia e no Iraque, principalmente sob o domínio de Saddam Hussein.
Leia mais sobre: Turquia - Iraque - curdos
Com informações da AFP e da Reuters
Publicidade
Curdos iraquianos fazem manifestação contra possível ofensiva militar turca
Erdogan diz que ofensiva turca para derrotar o PKK continua "sem pausa"
Turquia convoca EUA a combater todos os terroristas no Iraque, inclusive PKK