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No segundo dia da greve dos transportes franceses, sindicatos racham

19/10 - 08:47, atualizada às 10:23 19/10 - Reuters

PARIS - Os franceses enfrentaram nesta sexta-feira novas dificuldades para chegar ao trabalho, no segundo dia da greve nacional dos transportes públicos, cujos funcionários tentam evitar uma reforma previdenciária.  A paralisação hoje é parcial.

Mas os sindicatos estão divididos, e um terço dos trens intermunicipais estão funcionando, depois de passarem a quinta-feira praticamente parados.

Já os trens de subúrbio de Paris continuam bastante atingidos pela paralisação, ao contrário do metrô, que funciona pela metade. Houve pequenos incidentes entre usuários nos trens lotados do metrô no começo da manhã, segundo um repórter da Reuters.

Os sindicatos do setor ferroviário e energético convocaram a greve para pressionar o presidente Nicolas Sarkozy a fazer concessões em seu plano de acabar com o regime previdenciário que permite que alguns funcionários públicos se aposentem integralmente a partir dos 50 ou 55 anos.

Mas os sindicatos não parecem mais tão coesos, e a principal central, a CGT, fez um apelo por união para manter a pressão contra o governo.

'Haverá uma continuação (da greve) se for necessário', disse o sindicalista Bernard Thibault, dirigente da CGT, a uma TV na noite de quinta-feira. 'Para que seja efetiva, tem de atrair pelo menos tanta gente hoje, e para isso é preciso se preparar. E se preparar significa a unidade dos sindicatos envolvidos.'

O governo pretende acabar com os chamados 'regimes especiais' de aposentadoria, elevando a contribuição dos privilegiados de 37,5 para 40 anos, o que os colocaria em pé de igualdade com outros funcionários públicos e com a iniciativa privada.

O governo admitiu que a greve teve forte adesão, mas disse que não vai recuar. 'O presidente foi eleito com uma agenda de reformas e vai realizar essas reformas', disse o porta-voz David Martinon a uma TV. 'Agora é hora de determinação, mas também disposição para ouvir.'

O ministro do Trabalho, Xavier Bertrand, declarou à rádio RTL que vai se reunir na semana que vem com os principais sindicatos envolvidos na greve. 'Minha porta está aberta, e o que buscarei com eles na próxima semana são soluções para suas principais preocupações a respeito das pensões.'

Esse fundo previdenciário especial foi criado ao final da Segunda Guerra Mundial, especialmente para trabalhadores braçais. Mas há um enorme déficit, que neste ano custará US$ 7 bilhões aos contribuintes.

As pesquisas mostram forte apoio popular às mudanças propostas pelo governo e oposição às greves. Muitos militantes de esquerda e alguns sindicalistas concordam com a necessidade da reforma previdenciária, mas argumentam que os trabalhadores não devem sofrer o ônus.

Leia mais sobre: greve na França





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