19/10 - 05:26, atualizada às 08:57 19/10 - Redação com agências internacionais
Ao menos 133 pessoas morreram e outras centenas ficaram feridas na última quinta-feira em um dos piores ataques na história do Paquistão. O alvo do atentado era o comboio da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que escapou ilesa. Benazir retornou ao Paquistão depois de oito anos de exílio. Para a polícia local, indícios levam a crer que o atentado foi "meticulosamente planejado".
Segundo informações da polícia, duas explosões, uma menor e outra muito forte, aconteceram a apenas metros do carro onde estava Benazir quando seu comboio passava por Karachi, no sul do Paquistão. A explosão destruiu as janelas de seu veículo e incendiou um carro da polícia.
De acordo com a Agência AFP, chega a 133 o número de mortos nas duas explosões. Já segundo a Agência EFE, 139 pessoas morreram no atentado e 500 ficaram feridas. O Partido Popular do Paquistão (PPP), liderado pela ex-premiê,anunciou três dias de luto em razão do ataque.
O PPP, maior partido da oposição do Paquistão e fundado pelo pai de Bhutto, Zulfikar Ali Bhutto, anunciou que suas bandeiras em todo o país tremularão a meio pau durante os próximos três dias.
Ex-premiê escapa
O chefe de polícia de Karachi, Azhar Farroqi, disse que a ex-premiê foi tirada rapidamente da área, de acordo com planos de segurança previamente estabelecidos. "Ela foi retirada com muita segurança e agora está na Casa Bilawal", Farroqi disse para a "Dawn News", uma rede de televisão local, referindo-se à casa de Benazir em Karachi.
O inspetor da polícia provincial de Sindh, general Ziaul Hassan, não descartou que o ataque fosse resultado da ação de terroristas suicidas, já que as duas explosões consecutivas ocorreram muito perto do veículo especial que as autoridades dispuseram para levar Benazir.
A maioria das vítimas integra as forças de segurança que protegiam a comitiva da ex-primeira-ministra, disse o vice-ministro de Informação, Tarik Azim. Ele ainda lembrou que o governo havia aconselhado Benazir a adiar seu retorno pelas ameaças de atentados de radicais islâmicos, mas a líder opositora, que foi recebida com festa, rejeitou a idéia.
Ministra pró-ocidente
Benazir foi por duas vezes chefe de governo (1988-90 e 1993-96). Em 1999, abandonou o Paquistão com uma série de acusações por corrupção.
Há anos Benazir prometia retornar ao Paquistão para encerrar a ditadura militar, embora esteja voltando ao país como possível aliada do presidente Pervez Musharraf, chefe do Exército que tomou o poder em um golpe, em 1999.
'Estou muito animada, muita feliz e muito orgulhosa', disse Benazir, no momento em que seu vôo, a partir de Dubai, preparava-se para pousar. 'Temos que ter democracia no Paquistão.' Especula-se que os dois líderes pró-Ocidente possam compartilhar o poder depois de eleições nacionais, marcadas para janeiro. Militantes ligados à rede Al-Qaeda prometeram assassinar ambos.
(*com informações das agências EFE, Reuters e AFP)
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