16/10 - 14:47 - AFP

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, exigiu que o governo iraquiano e os curdos do Iraque atuem contra os integrantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) a fim de evitar incursão do exército turco na região.
"Eles devem assumir uma posição clara, isso é do interesse de todos", disse Erdogan no Parlamento, pedindo aos curdos do Iraque que "cooperem" com Ancara contra os rebeldes, refugiados no norte do Iraque.
"A direção central iraquiana e a região autônoma do norte do Iraque devem erguer um muro bem alto entre elas e a organização terrorista", acrescentou, em referência ao PKK.
O Parlamento Turco deve votar, nesta quarta-feira, uma moção para autorizar uma incursão militar no Iraque contra os rebeldes.
Esta autorização parlamentar teria um ano de validade, o que os observadores consideram como uma "espada de Damocles" sobre o Iraque.
Ancara acusa os curdos iraquianos de fornecerem armas e explosivos ao PKK e reclama que Bagdá não faz o suficiente para combater esta organização, considerada terrorista pela União Européia e Washington.
O governo iraquiano do primeiro-ministro Nuri al-Maliki parece ter captado a mensagem e nesta terça-feira participou de uma reunião de emergência ao término da qual anunciou o envio de uma delegação a Ancara em datas a ainda serem definidas.
O xiita Al-Maliki insistiu "no compromisso de seu governo na luta contra as atividades terroristas do PKK contra a Turquia".
Além disso, expressou o seu desejo de que as divergências se resolvam diante de negociações presididas pelos Estados Unidos, argumentando que "os governos iraquiano e turco devem cooperar para combater o terrorismo".
Também nesta terça, o vice-presidente iraquiano, Tarek al Hashemi, chegou a Turquia para se encontrar com o Erdogan e com o presidente Abdulá Gul.
Apesar destas questões, o governo de Ancara considera pouco provável que Bagdá esteja disposto a pressionar as autoridades autônomas curdas.
A Turquia e o Iraque assinaram recentemente um acordo antiterrorista cujo alcance, no entanto, não afeta os curdos, primeiros aliados dos americanos desde sua ocupação no Iraque em 2003.
O combate pela independência que o PKK mantém desde 1984 contra a Turquia causou a morte de mais de 37 mil pessoas.
Atualmente, a Turquia estima em 3.500 o número de rebeldes refugiados nas montanhas do norte do Iraque, região em que o regime do ex-ditador Sadam Hussein submeteu a numerosos ataques.
Nação sem Estado
Os curdos formam um grupo étnico que vive no Oriente Médio espalhados pelo norte do Iraque, sudeste da Turquia e partes da Síria e do Irã. Falam a mesma língua e têm a mesma religião e costumes culturais. Apesar dessa região ser comumente chamada de Curdistão, o Estado independente curdo não existe. O tamanho dessa população é incerto, mas estima-se que esteja entre 27 e 36 milhões de pessoas.
Os curdos que vivem na Turquia tentaram sua independência com o fim do império Otomano, após o fim da Primeira Guerra Mundial, mas fracassaram. Durante todo o século 20, revoltas curdas foram esmagadas na Turquia e no Iraque, principalmente sob o domínio de Saddam Hussein.
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