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Bush mantém encontro com Dalai Lama apesar das críticas chinesas

16/10 - 18:17, atualizada às 21:04 16/10 - AFP

O presidente George W. Bush recebeu o Dalai Lama, nesta terça, e aparecerá pela primeira vez ao lado dele em público na quarta-feira, ignorando assim as duras críticas da China, que acusou Washington de reforçar o poder de um separatista no exílio.

Um porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe, confirmou o encontro desta terça-feira da forma mais lacônica possível.

Bush recebeu o líder tibetano? "Sim". Detalhes? "Meia-hora, Sala Oval amarela", disse Johndroe, referindo-se a uma das salas da residência presidencial.

Como nas três vezes precedentes, Bush falou com o Dalai Lama não no Salão Oval, onde costuma receber os chefes de Estado, mas em seus aposentos particulares, para não irritar ainda mais a China.

Entretanto, a ira chinesa deve atingir seu ponto máximo na quarta-feira, quando Bush participará de uma cerimônia pública em homenagem ao líder tibetano.

Bush será o primeiro presidente americano a aparecer em público ao lado do Dalai Lama, que deverá receber a Medalha de Ouro, a máxima distinção civil atribuída pelo Congresso, já dada a personalidades prestigiosas como Martin Luther King, João Paulo 2 ou Nelson Mandela.

A China expressou seu "profundo descontentamento" e sua "firme oposição", e pediu o cancelamento destes encontros, que podem "afetar gravemente" as relações entre Washington e Pequim, avisou.

Eles constituem uma "grave violação dos princípios das relações internacionais" e uma "ingerência nos assuntos internos da China", denunciou o ministro das Relações Exteriores desse país asiático, Yang Jiechi.

"Entendemos as preocupações dos chineses", disse Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca, que no entanto não considera que Washington esteja se intrometendo nos assuntos chineses ao receber o Dalai Lama.

Pequim sustenta que os Estados Unidos estão reforçando a estatura internacional do 14º Dalai Lama, Prêmio Nobel da Paz, que já encarna no exterior a oposição ao regime comunista e a luta pela liberdade.

A China considera o Tibete como parte integrante do país. O Dalai Lama, que vive na Índia desde 1959, afirma que quer apenas uma forma de autonomia.

Segundo diplomatas, a insatisfação chinesa com os Estados Unidos provocou o adiamento de uma reunião internacional sobre a crise nuclear iraniana prevista para esta quarta-feira em Berlim. Pequim alegou oficialmente "motivos técnicos".

Leia mais sobre: Dalai Lama - China - EUA





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