15/10 - 15:22 - Redação com Reuters
LUXEMBURGO - Os ministros das Relações Exteriores da União Européia (UE) decidiram, na segunda-feira, reforçar as sanções contra Mianmá em resposta à repressão política da Junta Militar no país, no mês passado.
Os ministros fecharam um acordo para ampliar as sanções, como a proibição da emissão de vistos e o congelamento de bens de generais, autoridades e familiares, além de tomar novas medidas contra os setores de madeira, metais e pedras preciosas de Mianmá.
'A UE considera necessário aumentar a pressão sobre o regime', disseram os ministros num comunicado emitido depois de uma reunião em Luxemburgo. 'Portanto vai adotar um pacote de medidas que não afeta a população em geral, mas que visa os responsáveis pela repressão violenta e pelo impasse político no país.'
Entre as novas medidas deve estar o veto à exportação de equipamentos para os setores madeireiro e de mineração, além de limitações nas importações e nos investimentos nessas áreas.
O ministro francês Bernard Kouchner disse que as sanções não serão implementadas imediatamente, e que a UE deve mandar uma missão para Mianmá, ex-Birmânia, para pressionar a junta militar a buscar a conciliação nacional. O bloco admite que tem pouco poder de manobra, já que seu comércio com o país é pequeno.
Num artigo publicado no International Herald Tribune, Kouchner e o britânico David Miliband disseram que também é necessário pensar num pacote de medidas positivas.
A comissária de Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Walder, disse ser a favor de adiar a imposição das sanções em apoio à missão do enviado da ONU a Mianmá, Ibrahim Gambarai.
'Ele é o único que tem chance de ter margem de manobra neste momento'. Segundo ela, a UE quer a libertação dos prisioneiros políticos e o início do diálogo entre a junta militar e a oposição.
No fim de semana, a polícia de Mianmá prendeu Htay Kywe, um ativista estudantil que vinha fugindo da repressão havia quase dois meses.
Entenda o que acontece em Mianmá
Os protestos pacíficos começaram em agosto por causa dos aumentos absurdos no preço do combustível e se tornaram realmente ameaçadores para a Junta Militar quando os reverenciados monges budistas se uniram. A crescente multidão ganhou voz para expressar descontentamentos e o governo reagiu violentamente.
No dia 26 de setembro, a Junta Militar deu início a uma violenta repressão em que pelo menos 16 pessoas morreram, entre elas dois estrangeiros, de acordo com dados oficiais. O número pode ser muito maior uma vez que há diversos relatos não oficiais que apontam mais de 200 mortes.
O "homem forte" de Mianmá é considerado por alguns analistas o principal obstáculo para a reconciliação nacional e o começo do diálogo com a oposição, embora seu braço direito, o general Maung Aye, de 69 anos, também não seja muito partidário do diálogo com a Liga Nacional pela Democracia (LND), partido de Suu Kyi, a líder pró-democracia que está presa há 12 anos e considerada pela Junta Militar "um fantoche das grandes potências"..
Mianmá é governada por generais há 45 anos e não tem eleições democráticas desde 1990, quando o partido oficial perdeu para a LND, que obteve 82% dos votos, mas o governo nunca aceitou o resultado.
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